Histórico

Em 1947, o físico Denis Gabor desenvolveu uma técnica com o objetivo de melhorar a resolução de imagens geradas por microscopia eletrônica. A teoria da sua idéia foi desenvolvida numa época que não possuia os meios materiais para sua execução ideal, pois ela necessitava de uma fonte de luz coerente e monocromática que ainda não existia.

Sua idéia era registrar uma imagem, ainda que imperfeita, contendo toda a informação luminosa do objeto observado, e reconstruí-la por meios óticos. Para tanto, era necessário utilizar a fase das ondas luminosas, que na fotografia tradicional é completamente perdida, pois ela só grava a amplitude das mesmas. Entretanto, se fosse adicionada uma referência luminosa padrão à montagem, a coisa mudava completamente de figura, pois haveria um ponto de comparação para se reconstruir a frente de ondas original.

A montagem holográfica tradicional, consiste de uma fonte de luz coerente e monocromática (hoje utilizamos o laser), que é dividido em dois percursos. Um deles ilumina diretamente o objeto a ser holografado, enquanto o outro ilumina o filme holográfico, servindo de referência. No plano do filme, ocorrem interferências destrutivas e construtivas entre o feixe de referência e o feixe refletido pelo objeto, que são registradas na forma de franjas microscópicas claras e escuras. Estas franjas contém a totalidade da informação da frente de ondas luminosas refletida pelo objeto, inclusive sua fase. Quando o filme holográfico revelado é iluminado pelo mesmo ângulo em que foi atingido pelo feixe de referência no momento da exposição, e com o mesmo tipo de fonte de luz, o feixe objeto é reconstruído mostrando toda a tridimensionalidade do objeto original, visível daquele ponto de vista.

O trabalho de Gabor não serviu para os propósitos originais de melhorar a microscopia eletrônica, pois vários aperfeiçoamentos técnicos posteriores conseguiram o resultado que ele almejava, sem entretanto utilizar sua idéia original. Apesar disso Gabor conseguiu realizar seu primeiro holograma, ainda tosco e ineficiente, com uma luz filtrada de uma lâmpada a arco de mercúrio. Posteriormente, na década de 60 surgiu o laser, que veio a resolver todos os problemas iniciais com relação à monocromaticidade e coerência de fase da fonte luminosa, permitindo uma verdadeira explosão de pesquisas na área. Em reconhecimento ao desenvolvimento original da idéia, Gabor recebeu o Prêmio Nobel 23 anos após sua descoberta.

A holografia veio a se revelar como uma técnica extraordinariamente eficiente para o registro fiel de objetos tridimensionais. O filme holográfico, por sua vez, é um meio fácil de ser copiado e barato de se transportar quando se deseja utilizá-lo em demonstrações e exposições, permitindo uma maior democratização cultural ao se realizarem verdadeiros museus holográficos volantes.

Há diversas outras aplicações industriais da holografia, tais como: elementos óticos holográficos (redes de difração, filtros, etc.), memórias holográficas com altíssima capacidade, sistemas holográficos de varredura (scanning), testes não destrutivos, estudos de fotoelasticidade, processamento ótico de informação, análise de deformações por interferometria holográfica, etc.