Mascaramentos e o erótico feminino no teatro
Subversões da presença e do prazer
Palavras-chave:
mascaramento, erótico, corpo feminino, teatro, pesquisa-criaçãoResumo
Este artigo apresenta uma pesquisa-criação que investiga o mascaramento e o erótico feminino no teatro contemporâneo, articulando estudos teóricos e procedimentos práticos de atuação. A investigação parte de vivências pessoais da autora com a linguagem da máscara teatral e com processos formativos que envolveram experimentações corporais, comicidade, dramaturgia e referências ao Teatro de Revista e às vedetes brasileiras. O trabalho analisa como o corpo feminino, historicamente marcado por opressões, silenciamentos e modelos normativos de comportamento, pode encontrar no mascaramento um dispositivo de subversão, presença e criação cênica. A pesquisa teve como eixo a construção do espetáculo Mistérios Gozosos em Burleta Espivitada, elaborado a partir de três figuras femininas — a Mulher Santa, a Mulher Perfeita e a Mulher Diaba — entendidas como camadas simbólicas de um mesmo corpo em metamorfose. O estudo descreve os processos de criação das máscaras, figurinos, objetos e dramaturgias, destacando o papel dos elementos cênicos na construção do erótico como energia vital e potência expressiva. A partir de referenciais teóricos de autoras e autores como Audre Lorde, Hélène Cixous, Eugenio Barba e Neyde Veneziano, a pesquisa evidencia que o erótico, quando acionado em cena por corpos femininos, se torna força política e estética, capaz de tensionar estruturas patriarcais e ampliar
possibilidades de presença e significação no teatro. O artigo conclui apresentando a pesquisa criação como caminho para expressões femininas plurais, potentes e libertadoras.