Viviane Sassen: A identidade e beleza do povo africano

por Arxvis

Viviane Sassen preferia ter sido negra. É uma cor de pele mais agradável, menos nua.” (Edo Dijkerhuis, num ensaio sobre o trabalho dessa fotógrafa holandesa, publicado no livro de fotografias ‘Flamboya‘)

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Viver os primeiros anos de sua vida num pais da áfrica (kenia) transformou lembranças bem delineadas em fotografias hiper-realistas.

Para mais sobre o trabalho dessa grande fotógrafa, veja seu site: Viviane Sassen.

Artistas que também trabalham com a identidade e beleza do povo africano, entre outros: Leni Riefenstahl e Pieter Hugo.

Van Gogh e o elogio a loucura

Carolina Carmini

Apesar de fazer parte de uma nova categoria de artista que surgiu no século XIX, o louco solitário, Van Gogh não foi o único. As mudanças do século XIX resultaram em uma nova perspectiva do indivíduo em relação à sociedade. Para os artistas os novos tempos resultaram em percepção desesperadora e vazia da realidade, onde o que anteriormente era concreto e absoluto desmoronou. Deus morreu, a esperança no homem esmorece, a razão domina e tudo o que resta, para o indivíduo artista é o mundo dos sentimentos, o mundo da expressão.

© Vincent Van Gogh, "Restaurante De la Sirene em Asnieres", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Restaurante De la Sirene em Asnieres”, (Wikicommons).

“O que sou eu aos olhos da maioria das pessoas? Uma não entidade, ou um homem excêntrico e desagradável – alguém que não tem e nunca terá posição na vida, em suma, o menor dos menores. Muito bem, mesmo que isso fosse verdade, devo querer que o meu trabalho mostre o que vai no coração de um homem excêntrico e desse joão-ninguém.” –Carta de Vincent ao irmão Théo (21 de julho de 1882). Pelo trecho da carta destinada ao irmão fica claro que Vincent van Gogh se sentia deslocado na sociedade e tinha necessidade de inserir-se de alguma forma nela.

© Vincent Van Gogh, "Girassóis", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Girassóis”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, "Cabanas de colmo", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Cabanas de colmo”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, "Pasto em flor", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Pasto em flor”, (Wikicommons).

Os felizes proprietários de “van goghs” fazem discursos decorados sobre os motivos que o levaram a cortar sua orelha ou dados sobre sua vida, palavras colocadas de forma determinante a entender a obra e a vida do artista. Muitas foram as coisas que Vincent tentou fazer e em todas procurou adquirir conhecimento. Tudo o que tentou proporcionou uma experiência que o auxiliou mais tarde: vendedor de artigos de arte, professor e até mesmo pastor foram os caminhos que tentou trilhar e, no momento em que descobriu que a arte seria sua profissão, esperou ser reconhecido através desta tanto por sua família como pela sociedade.

© Vincent Van Gogh, "Pontes que atravessam o Sena em Asnieres", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Pontes que atravessam o Sena em Asnieres”, (Wikicommons).

O pintor holandês foi influenciado por Hals, Rembrandt, Seurat e pelo japonismo. Primogênito de uma família tradicional de origem calvinista, acabou por suicidar-se (teoria já posta em cheque na atualidade). Em sua busca por estabelecer-se na sociedade passou por diversas profissões: de pastor radical, fiel aos princípios da Bíblia, a pintor da natureza, amante do cachimbo, do absinto, das prostitutas. Deus foi substituído pela arte. Van Gogh assimilava em sua técnica as questões estéticas dos movimentos artísticos que surgiram no período, adaptando-os ao seu estilo. Suas investigaçõesartísticas resultaram em uma imensa obra que influenciou de forma profunda a arte do século XX.

Sempre ansiou por estabelecer relações pessoais duradouras com a família, amigos, com pessoas em seu entorno. Porém, apenas seu irmão Théo se manteve do seu lado ao longo de sua vida atribulada. De sua grande produção epistolar (cerca de 800 cartas), a primeira e a última foram destinadas ao irmão. Com ele mantinha uma relação intensa – com desentendimentos, apoio mútuo, grande intimidade. Muito mais que irmãos, Vincent e Théo eram complementares.

© Vincent Van Gogh, "Restaurante De la Sirene em Asnieres", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Restaurante De la Sirene em Asnieres”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, Auto-Retrato, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, Auto-Retrato, (Wikicommons).

Meses antes da realização do retrato acima, em 1889, Vincent esteve mergulhado em meio uma crise de loucura, uma das muitas que se tornaram recorrentes após o conhecido episódio da orelha cortada, tão marcante para o reconhecimento do artista na cultura popular. Pouco conhecido pelo grande publico, esse foi um de seus últimos auto-retratos e também o único no qual o pintor se representou com sua orelha amputada. Além disso, o rosto apresenta aparência de cansaço. O retrato foi pintado em camadas grossas de tons cor de terra, não há cores fortes e vivas e há diferenças no uso da luz – como se o autor tivesse perdido suas esperanças. Esse retrato não tem mais o otimismo dos primeiros autos-retratos. Enfraquecido, com a barba por fazer, extenuado pela longa caminhada que se tornou sua existência, talvez esperasse apoio e atenção materna, que ansiava desde o começo das crises, mas que há muito não tinha. Encontrava-se perto do fim de sua trágica existência.

© Vincent Van Gogh, "Árvores num campo, em dia solarengo", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Árvores num campo, em dia solarengo”, (Wikicommons).

Entre os anos de 1880 e 1885, Vincent procurou desenvolver sua técnica. Como não tinha condições financeiras e nem vontade de entrar em uma academia, iniciou seus desenhos baseados em cópias de obras famosas e manuais de desenho que seu irmão lhe enviava. Théo indicou o jovem pintor Anton van Rappard, de quem Vincent ficou amigo, em Bruxelas. Vincent aprendeu com ele conceitos básicos de pintura, como a perspectiva. Apesar das insistências constantes de seus pais para que conseguisse um emprego estável, o jovem holandês dedicou-se a uma última empreitada: tornar-se pintor. Nos dez anos em que pintou, Van Gogh produziu cerca de 800 quadros, além dos desenhos e águas fortes.

© Vincent Van Gogh, "Ramos de castanheiros em flor", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Ramos de castanheiros em flor”, (Wikicommons).

Após a morte de Théo, a esposa deste, Johanna van Gogh, tornou-se detentora de toda a obra de seu cunhado Vincent. Em meio a esta herança, estavam a primeira carta escrita pelo pintor em 1875 e a última encontrada em seu bolso em 1890, no dia de seu suicídio, ambas destinadas a Théo. A jovem viúva e mãe administrava seu tempo entre o trabalho, os cuidados com o filho e a catalogação da obra plástica e escrita de seu cunhado. No inicio do século XIX, esses escritos pessoais que abarcavam os diários, as autobiografias e até mesmo biografias que faziam sucesso entre o público, criando um verdadeiro mercado de “vidas” que passaram a ser públicas, ganhou força principalmente pela crescente ideia de que o conhecimento sobre a vida do autor auxiliaria o entendimento da obra deste. Os próprios intelectuais valorizam sua produção guardando-a ou doando-a a instituições. Como médicos e alienistas acreditavam que escrever ajudava a tratar ou amenizar os distúrbios mentais dos indivíduos, preservavam toda essa produção de seus pacientes para estudos dos casos e/ou publicação deste material.

© Vincent Van Gogh, "Noite estrelada", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Noite estrelada”, (Wikicommons).

O diálogo travado entre Vincent e seu irmão Théo estava além do comunicativo; as cartas eram repletas de informações íntimas compartilhadas apenas com o irmão, incluindo seus medos e temores sobre o futuro devidoà progressão de sua doença. Algumas vezes, informações triviais sobre o dia-a-dia poderiam parecer banais, mas é nesse ato de escrever sobre si que o homem moderno se constróis e descobre quem é: através das linhas deixadas no papel, principalmente quando esse homem está num dado isolamento, conseqüência de seu afastamento da sociedade tradicional burguesa. Suas cartas revelam um homem e um artista que busca aceitação, mas não se enquadrava nos padrões do seu tempo e do seu meio. Um ser deslocado.

© Vincent Van Gogh, "Natureza morta de arenque defumado sobre papel amarelo", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Natureza morta de arenque defumado sobre papel amarelo”, (Wikicommons).

Toda a correspondência de Van Gogh é uma forma de auto-expressão, juntamente com suas obras. Quando não estava pintando freneticamente, Vincent escrevia. O conteúdo da correspondência de Van Gogh revela seu processo criativo. Vincent comentava como suas telas e cores iam surgindo, descrevendo-as e analisando-as. Ele enviava a Théo os esboços das obras que estava pintando, dando ricos detalhes sobre o tema e a origem da ideia e cores usadas. Através da extensa correspondência percebemos a recriação da realidade que Vincent realiza em suas obras, uma reorganização que transformava o que se via no que se sentia, através das cores. Por meio do ato de escrever para o irmão, o artista iniciava o processo de concretizar o que captava do mundo exterior. Era ali que os sentimentos de Vincent e a realidade que o cercava encontravam uma unicidade. Nas cartas é possível constatar como Vincent era detalhista e minucioso – é possível visualizar a produção de sua obra.

© Vincent Van Gogh, "Semeador", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Semeador”, (Wikicommons).

Nunca um artista deixou tanto material sobre seu processo criativo, sua perspectiva sobre o futuro e suas idéias sobre a arte quanto Van Gogh. Como vemos, não é um documento neutro. Permite compreender o artista deste período: o artista que não está nos meios acadêmicos, o indivíduo do século XIX, cada vez mais isolado em um mundo onde as relações interpessoais sofreram grandes transformações. Os conflitos constantes o fizeram se afastar cada vez mais da família e apegar-se a uma espiritualidade exarcebada, talvez sua última tentativa de aproximar-se do pai. Porém, o patriarca da família Van Gogh faleceu antes do fim dos conflitos e o pintor substituiu Deus pela natureza, que dominou suas telas a partir de Arles.

© Vincent Van Gogh, "Colheita em La Crau, ao fundo o Montmajour", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Colheita em La Crau, ao fundo o Montmajour”, (Wikicommons).

Contudo, a esperança nunca abandonou sua vida. Quando se mudou para Paris buscava conhecimentos, diálogos e mudanças. Encontrou um mundo em ebulição social, econômica e cultural. Em Arles buscava o mundo japonês que havia conhecido na cidade-luz e também construir uma comunidade de artistas que estivessem preocupados realmente com a arte. O oposto da comunidade de artistas que encontrou em Paris, mais preocupados com a vida boêmia regada a mulheres e álcool e que apenas discutia, sem realmente realizar algo. Como é sabido, seus planos falharam. Desde esse momento, a solidão tomou conta de sua vida de artista, ao mesmo tempo que sua arte se desenvolveu. Cores fortes e vivas, formas dinâmicas invadem seus quadros – e seus problemas de saúde mental também se desenvolvem.

© Vincent Van Gogh, "Três cabanas brancas em Saintes Maries", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Três cabanas brancas em Saintes Maries”, (Wikicommons).

O final da história é conhecido por todos. Alguns consideram o suicídio do artista seu último grito de loucura, outros o encaram como uma tentativa final de se tornar um mártir da arte em uma vida que há muito já se caracterizava pela abnegação. De uma maneira própria, Vincent Van Gogh era um artista ligado a seu tempo e percebeu os indícios de mudanças que outros indivíduos da sociedade apenas acompanhavam. Tradição e modernidade estão presentes em sua vida pessoal e em suas obras: a solidão do homem que buscou atender suas necessidades próprias, assim como a necessidade de sentir-se inserido em algum lugar na sociedade.

© Vincent Van Gogh, "Paisagem sob um céu de tempestade", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Paisagem sob um céu de tempestade”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, "Rua da aldeia e escadas em Auvers", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Rua da aldeia e escadas em Auvers”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, "Casas em Auvers", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Casas em Auvers”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, "Cabanas de colmo em Cordville", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Cabanas de colmo em Cordville”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, "Planície perto de Auvers", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Planície perto de Auvers”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, "Feixes de trigo", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Feixes de trigo”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, "Árvores perto da Estação de Arles", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Árvores perto da Estação de Arles”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, "Árvores de damascos em flor", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Árvores de damascos em flor”, (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, "Ponte Gleize sobre o Canal de Vigueirat", (Wikicommons).
© Vincent Van Gogh, “Ponte Gleize sobre o Canal de Vigueirat”, (Wikicommons).

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Assisto especial “Os Impressionistas

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=kWefnelh5M0]

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Também, com riquíssimo conteúdo, dois especiais da BBC de Londres :

BBC Vang Gogh : Pintando com palavras (2010)

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=IiS-q4IP6CM]

O Poder da Arte

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=Rve77XDdK0I]

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Consulte também, na biblioteca da Escola de Belas Artes, alguns livros sobre este artista!

HARRIS, Nathaniel.; GOGH, Vincent van. A arte de Van Gogh.. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1982. 80p.

HULSKER, Jan. The complete Van Gogh : paintings. Drawings. Sketches. New York, USA: Harrison House/Harry N. Abrams, 1984. 498p.

GOGH, Vincent van; MARCUSSI, Garibaldo. Figure di Van Gogh. [S.l.]: Studio Editoriale D’arte Perna, c1965. [4] p; 16 pranchas (Le Meraviglie del Collezionista; v.2)

ARTAUD, Antonin; GULLAR, Ferreira. Van Gogh: O suicida da sociedade. 2 ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 2007. 101p.

SPENCE, David. Van Gogh: arte & emoção. São Paulo: Melhoramentos, 1998. 31 p. (Grandes artistas)

CABANNE, Pierre. Van Gogh.. [Lisboa]: Verbo, 1971. 301p. (Grandes Artistas)

STONE, Irving. A vida tragica de Van Gogh. Lisboa: Livros do Brasil, c[19-]. 476p. (Coleção Dois Mundos)

PERRUCHOT, Henri. La vie de Vincent Van Gogh. Paris: Hachette, c1957. 394p.

MEIER-GRAEFE, Julius. Vincent Van Gogh : la novela de un buscador de Dios. Buenos Aires: Poseidon, 1945 441p.

WALTHER, Ingo F; GOGH, Vincent van; METZGER, Rainer. Vincent van Gogh : the complete paintings. Koln; Benedikkt Taschen, c1993. 2v.

METZGER, Rainer. Vincent van Gogh: 1830-1890. Köln: Taschen, c2008. 256 p.

Arte Cultura – BBC Brasil

O boletim semanal de cultura da BBC, Arte em Revista, apresenta vídeo sobre mostra na Open Gallery em Londres. O artista David Bowie está sendo “reinterpretado” por diversos artistas plásticos na exposição.

O vídeo apresenta também tema de exposição na capital americana, a artista minimalista Ellsworth Kelly é homenageada por seus 90 anos.

Outra atração cultural mostrada no vídeo é o circo UniverSoul, que está passando por 300 cidades americanas com seus ritmos do hip hop e talentos da cultura afro-americana em suas performances.

Também em destaque são as obras restauradas de Picasso, Matisse, Chagall, Miro e Le Corbusier no Museu de arte bizantina em Atenas.

Confira o vídeo clicando na imagem:

Fonte: site BBC Brasil

Obra sobre David Bowie na Open Gallery, em Londres. Foto: BBC

Para entender a moda – Entrevista com Tarcísio D’Almeida

Entrevista concedida ao jornal O Povo

“O grande erro epistemológico é entender a moda só como consumo. A moda tanto transita entre um objeto que propõe uma estética para a humanidade, como destina-se ao consumo”

O Closet conversou com o professor de moda da UFMG, Tarcisio D`Almeida, que esteve em Fortaleza falando sobre a intelectualização da moda. O jornalista veio lançar o livro Moda em Diálogos: entrevistas com pensadores. O livro abre o leque do pensamento da moda para além das passarelas e aponta como e onde o fenômeno influencia e contribui para a construção de uma identidade ao longo dos séculos.

O POVO – Porque moda é um tema ainda muito ligado a frivolidades?

Tarcísio D`Almeida – O grande erro epistemológico é entender a moda só como consumo, mas a moda tanto transita entre um objeto que propõe uma estética para a humanidade, durante as décadas e séculos, como destina-se ao consumo. Mas a maioria interpreta só como consumo, ao invés de uma produção estética para a humanidade. Esse é o eixo central onde reside esse preconceito de ver a moda só como algo frívolo, superficial e que não acrescenta nada à sociedade, por exemplo.

OP – No livro Moda em Diálogos… você reúne entrevistas com sete pensadores, como foi esse processo?

Tarcísio – Esse é um projeto que venho desenvolvendo desde a década de 1990, já tem um certo tempo (risos). Sempre tive uma inquietação e sempre quis refletir sobre a moda. Tive a oportunidade de entrevistar pensadores na área de filosofia, sociologia, antropologia, economia. São sete pensadores internacionais para quem eu expus minhas inquietações. Desde os anos 1990 estabeleci uma maneira de pensar moda e dialogar com esses autores. Então eu trouxe para a humanidade um campo que é pouco pensado, pouco refletido, que é a moda.

OP – Na entrevista que abre o livro, com Gilles Lipovetsky, ele reclama de que há pouca interrogação teórica sobre o fenômeno da moda. Qual você diria então que são as mais relevantes questões sobre a moda hoje em dia?

Tarcisio – Essa posição do Lipovetski é perfeita, porque explicita todo o problema que reside na moda no campo do pensar. Você pode pensar e refletir teoricamente a moda pra trazer pro seu processo criativo. Quando Lipovetski fala isso, é verdade. Por a moda ser um fenômeno da modernidade, do século XX pra cá, é quando começa a ter leitura. Existem três grande obras sobre o tema: Filosofia da Moda, do sociólogo alemão Georg Simmel, Sistema da Moda, do semiólogo francês Roland Barthes e mais da nossa época, dos anos 1980 pra cá, O Império do Efêmero, de Gilles Lipovetski.

OP – E quem seria uma autora para quem quer começar a entender moda pelo viés do pensamento social?

Tarcisio – Tem uma autora que atua diretamente com a moda, chama Sue J. Jones, ela publicou Fashion Design: manual do estilista, é um livro muito didático, bem ilustrado, pra quem estuda e se interessa por moda é uma dica muito boa. E Moda do Século, de Francois Baudot que também explica o percurso da moda no século XX, e aborda o tema de maneira bem clara, bem didática.

OP – Uma das teorias muito questionáveis pelos autores é a de que a moda se caracteriza pela competição de classes. Qual a principal brecha dessa teoria?

Tarcisio – Se você fizer um mergulho histórico vai perceber que essa teoria de pensar a moda como diferenciação de classe existia de fato. Em momentos passados, na primeira metade do século XX a gente conseguia perceber e a aplicar essa teoria. Mas na segunda metade do século XX pra cá, sobretudo no final século XX, começamos a ter uma contaminação, e essa ideia de cópia das classes privilegiadas elite começa a se esvaziar. A moda hoje é muito mais comportamental do que fenomeno da rua, tribos urbanas que começam até a influenciar a alta-costura. Então, você perde um pouco essa forma de pensar, ainda tem um pouco, mas não é a base da moda contemporânea a repetição da classe privilegiada.

OP – O que é o grande aspiracional dos dias de hoje?

Tarcisio – Na nossa realidade, na cultura brasileira, entendo que esse aspiracional de desejo de consumo é a busca pela identidade, que nós somos muito perdidos ainda. Está mais ligada a fetichização e a cultura popular. Maior exemplo emblemático é a telenovela, querendo ou não tem um índice muito alto que influencia diretamente a moda, tem leve viés estético, a telenovela tem essa força. 

Estante

moda em diálogoModa em Diálogos

Autor: Tarcisio d`Almeida
Editora: Memória Visual

fashion-design

Fashion Design : manual do estilista
Autor: Sue J. Jones
Editora: Cosac & Naify
21496361_4Moda do Século
Autor:François Baudot
Editora: Cosac & Naify 
Filosofia da ModaFilosofia da Moda
Autor: Georg Simmel
Editora: Texto & Grafia
Sistema da ModaSistema da Moda
Autor: Roland Barthes
Editora: Martins Fontes

Artistas reclamam de reformas demoradas e descaso com teatros municipais e espaços públicos

Carolina Braga

Atores são voz mais forte entre os insatisfeitos com atrasos e reformulações em projetos

É fato que há tempos a classe teatral vive na base do “ver para crer”. De todo modo, a Fundação Municipal de Cultura (FMC) promete para dezembro a reinauguração dos dois teatros municipais inoperantes na cidade. Se a novela do Francisco Nunes se arrasta há mais de quatro anos, nas próximas semanas o Teatro Marília será oficialmente fechado para as obras de revitalização. “No Marília o prazo é menor, porque não vai ter quebradeira”, explica o assessor especial da Presidência da FMC, Cássio Pinheiro. Ele garante que, desta vez, o prazo será cumprido.

Apesar da promessa, o clima ainda é de desconfiança. “É vergonhoso o descaso com esses espaços e é vergonhoso o ponto a que chegamos. Uma cidade como BH, umas das principais capitais do país, que é reconhecida culturalmente em todo o Brasil, estar com dois de seus principais teatros fechados”, lamenta oator Jonnanthan Horta Flores, integrante do Grupo Oficcina Multimédia.

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A obra no Teatro Francisco Nunes, fechado desde abril de 2009, começou efetivamente em maio deste ano. Desde então, a área dentro do Parque Municipal está cercada por tapumes. Com o custo estimado em R$ 10 milhões, a reforma é tocada por meio de recursos do convênio Adote um bem cultural, assinado entre a PBH e uma empresa privada de serviços de saúde. Segundo a patrocinadora da obra, a reinauguração será em janeiro de 2014. O projeto arquitetônico leva a assinatura de Raul Belém Machado e prevê o restauro e modernização da caixa acústica, instalação de novas cadeiras, sistema de ar-condicionado e novo tratamento acústico. O foyer ganhará pé-direito duplo, com única entrada central e espaço para exposições.

Já no Teatro Marília a reforma tem custo estimado de R$ 2 milhões, também a serem repassados por empreiteiras via convênio com a prefeitura da capital. O projeto inclui reestruturação, modernização e revitalização do espaço. O foco principal é a área de palco e plateia, embora a fachada também passará por mudanças. “É um teatro que se mantém sem alterações desde 1964. Mesmo com as reformas que recebeu ao longo dos anos, está ultrapassado do ponto de vista de iluminotécnica e maquinário. Estamos buscando a modernização justamente para esta parte”, explica Cássio.

O projeto assinado pela arquiteta Michelle Ziade prevê mudanças na rampa de acesso ao teatro, assim como a abertura de novas saídas de emergência. No canto direito da sala de espetáculos será aberto um corredor, tanto para a entrada de cenários como para escoamento de público. Dentro do espaço, além da recuperação acústica, da troca de cadeiras e do revestimento do palco em madeira de ipê florestal, o balcão será reativado. Com isso, a capacidade do Marília saltará de 180 para cerca de 200 lugares.

O foyer da casa de espetáculos também será readequado. A área administrativa será reduzida para dar um espaço a ser ocupado com exposições e um centro de memória do teatro. No mezanino, a ideia é reinaugurar o Stage Door, bar que fez parte dos tempos áureos do Marília.

Estado precário

De acordo com Cássio Pinheiro, a programação do teatro foi suspensa em março. “Quando assumimos, em setembro, fizemos uma avaliação e a parte elétrica estava em péssimas condições. Fizemos uma ação emergencial para garantir a agenda da Campanha de Popularização do Teatro e do Verão Arte Contemporânea”, conta. Desde então, o palco passou a ser visitado por profissionais de várias áreas.

Os laudos confirmaram o estado precário da parte elétrica e também a presença de cupins na área das varandas do maquinário. Embora a madeira do palco não esteja infestada, encontra-se empenada. “Na última reforma foi usada madeira verde no piso do palco. Estava lindo, mas empenou. Por causa disso, você não roda nenhum cenário nem consegue montar espetáculo de balé”, informa Cássio Pinheiro. Segundo ele, além do novo revestimento, a caixa cênica será equipada com 180 novos refletores.

A previsão é de que o termo da parceria entre a prefeitura e as empreiteiras que patrocinam o projeto, e que serão responsáveis pela obra, seja assinado ainda esta semana. Apenas depois de formalizado o convênio, as obras começarão efetivamente.

Emperrado
O imbróglio envolvendo o Teatro Clara Nunes continua. O espaço de responsabilidade da Imprensa Oficial, ligada ao governo do estado, será reformado pelo Sesc, que deverá administrar o local. A parceria foi anunciada oficialmente em março. O convênio, no entanto, ainda aguarda o parecer do departamento jurídico. Até lá, está tudo parado.

Fecha e não abre

Abril 2009 – O Teatro Francisco Nunes é interditado em 3 de abril por risco de desmoronamento do teto.

Maio 2012 – O Chico Nunes reabre temporariamente e em situação precária para apresentações do Festival de Arte Negra e do FIT-BH. Concluída apenas a reforma do teto.

Junho 2012 – Apresentações do FIT-BH agendadas para o Teatro Marília tiveram que ser transferidas pelos riscos oferecidos pelo espaço. Prefeitura anuncia convênio de R$ 10 milhões com empresa privada de saúde para reforma do Francisco Nunes.

Março 2013 – Governo de Minas anuncia parceria com o Sesc para reforma do Teatro Clara Nunes. Convênio aguarda apreciação do departamento jurídico.

Maio 2013 – Início das obras no Teatro Francisco Nunes.

Julho 2013 – Anunciado convênio para a reforma do Teatro Marília. Serão investidos R$ 2 milhões por meio do convênio Adote um bem cultural, assinado com empreiteiras.

FOTOGRAFIA

Série de fotos mostra a imensidão e a beleza de casas de ópera vazias

Interessado pela fotografia de grandes dimensões, o fotógrafo David Leventi encontrou um lugar perfeito para fazer crescer esse amor: as casas de ópera. Imponentes, monumentais, ainda pra mais vazias, elas contêm uma magia que nos faz sentir parte do espetáculo. A série Opera contém algumas das mais famosas casas do mundo.

Leventi começou a criar esta série em 2007 e o primeiro nome da lista foi o Ateneu Romeno, em Bucareste, Romênia. O fotógrafo estava documentando a história da sua família no país e recebeu autorização para fotografar a casa vazia – foi “inspiradora, com tantos detalhes ornamentais. Estando sozinho dentro de uma sala enorme, havia um poder que emanava do espaço”.

Leventi nunca mais parou. E a verdade é que também nós podemos imaginar o que guardam as paredes de cada uma destas majestosas salas. O fotógrafo usa uma câmera 8×10 Arca-Swiss, captando a maior parte das imagens bem no centro do palco, observando a casa da perspetiva de um ator. Para iluminar as imagens, Leventi utiliza apenas os lustres existentes nas casas.

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Romanian Athenaeum, Bucareste, Romênia, 2007

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Metropolitan Opera, Nova York, Estados Unidos, 2008

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Hungarian State Opera House, Budapeste, Hungria, 2008

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Teatro La Fenice, Veneza, Itália, 2008

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Teatro di San Carlo, Nápoles, Itália, 2009

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Drottningholm Palace Theatre, Estocolmo, Suécia, 2008

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Oslo Opera House, Oslo, Noruega, 2008

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Opéra de Monte Carlo, Mónaco

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Palais Garnier, Paris, 2009

todas as imagens @ David Leventi.                                                           Acesse http://www.davidleventi.com

Créditos: Portal Hypeneness

Paulo Nazareth

Artista Paulo Nazareth abre mostra com instalação e vídeos, no Bairro Veneza, em Ribeirão das Neves

Artista está com trabalho no pavilhão principal na Bienal de Veneza, na Itália 

 

Depois de ir a pé aos EUA para participar da Art Basel Miami e da presença em Veneza, Paulo Nazareth se prepara para participar, em setembro, da Bienal de Lyon ( Marcos Vieira/EM/D.A Press)Depois de ir a pé aos EUA para participar da Art Basel Miami e da presença em Veneza, Paulo Nazareth se prepara para participar,esetembro, da Bienal de Lyon

 

A 55ª Bienal de Veneza começou em 1º de junho, na Itália, e vai até 24 de novembro. Um evento paralelo da mostra vai ser aberto quarta-feira, às 10h, em uma outra Veneza: o bairro com o nome da cidade italiana, em Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ação do artista plástico mineiro Paulo Nazareth, que apresenta versão menor do mesmo trabalho que está mostrando na Itália. A exposição fica aberta no mesmo período da bienal: até 24 de novembro, de segunda a sexta, das 10h às 18h.

Paulo Nazareth tem 36 anos, nasceu em Governador Valadares e vive em Belo Horizonte. Tem garantido lugar e prestígio em mostras internacionais com performances rumorosas e fotos com textos questionadores, de encontros ocorridos durante andanças pelo mundo – valendo-se de todos os meios, percorrendo grandes distâncias a pé. Em alguns casos, o percurso vai do Brasil até o local das exposições para as quais é convidado. Correu o mundo imagem do mineiro, diante de uma Kombi, vendendo bananas na feira Art Basel Miami (EUA). Para a Bienal de Lyon (França), que será aberta em setembro, Paulo Nazareth leva ‘Caderno de África’, resultado de perambulações pelo continente africano.

“Existe a Veneza do glamour, do imaginário, onde é realizada a Bienal, a maior, a mais antiga, referência do lugar da arte, onde ‘todos’ querem ir. É a Veneza da fotografia, do consumo. Estou fazendo exposição em outra Veneza, que não está neste lugar do objeto de desejo, que pouca gente conhece e às vezes tem até medo dela”, observa Paulo, sentado na cozinha da casa do irmão, no Bairro Palmital, em Santa Luzia, onde mora. Cruzar um trecho da favela até o local da exposição é parte do projeto.

“A nossa pequena Veneza é parecida com o Palmital: bem viva, com gente na rua fazendo a vida acontecer”, acrescenta. Credita a fama de violento dos dois locais ao sensacionalismo do jornalismo policial. “Coisas da mídia”, lamenta. O trabalho que vai apresentar chama-se ‘Todos os santos da minha mãe’. É reunião de produtos que têm nomes de santo, desde filtro São João até pãozinho San Carlo e correntes São Rafael, exemplifica. “É trabalho sobre disseminação de santos como produtos, no lugar de comércio”, observa.

Vai estar ainda no ponto de cultura mantido pelo artista no Bairro Veneza o vídeo ‘Aprendi a rezar em guarani e kaiowá para o mundo não se acabar’. Trata-se de registro de noite passada com índios de Mato Grosso do Sul, numa quinta-feira, “um bom dia para rezar, já que da tarde até o amanhecer estão abertos os portões dos 14 mundos que, para eles, formam o universo”. O “além do material”, explica, é questão importante para o artista. Como a questão da promessa. E o Paulo considera que algumas obras são ex-votos.

 (Marcos Vieira/EM/D.A Press)
 

Na feira Paulo Nazareth vive desde os 15 anos no Bairro Palmital. “Já morei no Mangabeiras”, brinca, referindo-se a período alojado em sauna de mansão que estava em reforma. Residiu ainda na zona rural de Curvelo (MG) e na favela do Cafezal. “Já fiz de tudo: fui jardineiro, padeiro, agente de saúde e bonequeiro”, conta o artista. Foi fazendo bonecos e vendendo publicações e imagens avulsas, em feira de domingo no Bairro Palmital, que conseguiu manter e comprar o material necessário durante o curso de belas-artes.

O material gráfico, explica, são gravuras e parte importante de sua obra. Com relação ao preço dos trabalhos, conta que é muito variado – “a partir de R$ 0,10 ou de acordo com o bolso de quem se interessa”. Os letreiros que ele apresenta das fotos, assim como as havaianas que usa para caminhar, “são mais caros”. O artista se formou em 2005, em desenho e gravura, na Escola de Belas-Artes da UFMG. Estudou entalhe em madeira com mestre Orlando (1944-2003), e, até o fim do ano, deve realizar mostra com trabalhos próprios e de seu mestre.

As andanças pelo mundo, ao sabor do inesperado, deixa às vezes a família preocupada. “Mando notícias”, observa. “Minha mãe é devota de todos os santos, o que ameniza a preocupação dela, faz com que eu sinta os santos e almas me protegerem e seguir bem”, garante. Foi a devoção da mãe uma das fontes para o trabalho que está nas duas Venezas. O artista não foi a Veneza, na Europa, porque é promessa dele só ir à Europa depois de passar pela África. A mãe, Ana Gonçalves Silva, viajou na sexta-feira, com uma amiga, para representar o filho na Itália.

 

Paulo Nazareth

• Exposição
Instalação, vídeo e gravuras. Rua Nossa Senhora do Rosário, 36, Bairro Veneza, Ribeirão das Neves. De segunda a sexta, das 10h às 18h. Até 24 de novembro. Ônibus: 6260. Informações e visitas guiadas: (31) 8777-8490 (com Júlio).
 
• Livro
‘Paulo Nazareth, arte contemporânea/LTDA’, Editora Cobogó. Edição bilíngue (português/inglês), com mais de 150 imagens e textos de Kiki Mazzucchelli, Maria Angélica Melendi, Hélio Alvarenga Nunes, Walter Chinchilla, Julio Calel, Edgar Calel, Pedro Calel, Janaina Melo e do próprio Paulo Nazareth.
 
• Internet
artecomtemporanealtda.com.br (com links para outros blogs).
 
 
 

Três perguntas para…
Paulo Nazareth, artista plástico

 

Você vê influência do Bairro Palmital nos seus trabalhos?

 

Se não morasse no Palmital minha arte seria outra. Morar aqui é uma opção. O local é criação da Cohab. Mas criaram conjuntos habitacionais com moradias tão precárias, que são piores do que as das favelas. Então, a gente tem que favelizar para melhorar. O gato coloca as patas onde há carência de serviços.

O que você tem visto em suas andanças pelo mundo? 

Que as pessoas que menos têm são as que mais abraçam o outro, que têm menos medo do outro, que acolhem. Chamam você para entrar em casa, puxam cadeira, oferecem café, dividem o mundo dela, têm curiosidade em conhecer você. Meu trabalho são imagens desses encontros com várias culturas diferentes. Às vezes, penso que sou um criador de casos afetivos, que levo para contar para outros lá na frente, ou que vão parar nas minhas gravuras e panfletos.

Como você vê o seu trabalho?

Fui aluno de mestre Orlando, fiz entalhe em madeira e pedra. Comecei a fazer uma carranca, mas nunca a terminei. Fiquei pensando: o que faço são carrancas. Não aquela cara, aquele objeto em madeira, mas, de alguma forma, carrancas. Carrancas, dizem, são para afastar os maus espíritos, o olho- grande, quando você vai abrindo caminhos. Dizem que, por isso, carranca tem que ser feia, mas, às vezes, a gente erra e elas não ficam tão feias assim.

Palavra dos curadores

“Paulo é um dos artistas mais complexos e inesperados que surgiu nesta geração. Cria uma economia paralela, vendendo suas obras à comunidade, e também uma realidade paralela, com trabalhos de longa duração.”
Hans Ulrich Obrist

“Paulo Nazareth está reinventando a performance. Essas caminhadas de longa duração produzem obras de arte sobre contextos sociais e as pessoas que ele encontra. É um artista imprevisível e ao mesmo tempo incrível.”
Gunnar Kvaran

 
 
Por Walter Sebastião – Disponível em: EM CulturaPublicação

Descobertas as verdadeiras cores de Van Gogh

Novas pesquisas do Museu Van Gogh apontam que despigmentação pode ter alterado cores de alguns dos quadros mais famosos do pintor.

 Descoberta: quais as verdadeiras cores de Van Gogh?

A imagem do quadro O Quarto, de Vincent Van Gogh, é uma que os apaixonados por arte sabem de cor: a cama amarelada contrastando com as paredes azuis e tristes.

Aparentemente, porém, essa não era a aparência original da obra, nem a forma como Van Gogh a concebeu. Um estudo de oito anos sendo conduzido pelo Museu Van Gogh, em parceria com a Agência Holandesa de Patrimônio Cultural e a Shell (sim, do petróleo) está provando que nem todos os mitos sobre o pintor são reais.

 Descoberta: quais as verdadeiras cores de Van Gogh?

Assim como quando o suicídio de Van Gogh foi questionado, fica enfraquecida a imagem de pintor desequilibrado, impulsivo, que simplesmente jogava tinta às pressas na tela para criar suas poderosas imagens.

Utilizando um raio-X fluorescente e um microscópio de elétrons, os pesquisadores conseguiram ver as linhas-guias e esboços que o artista traçava antes de começar a pintar. Ficou claro que ele fazia um uso minucioso de técnicas de perspectiva e profundidade, e tinha grande preocupação com as proporções dos objetos.

Em outras palavras, Van Gogh era um artista muito mais metódico do que a imagem popular faz acreditar, e ele compunha seus quadros com cuidado e de forma bastante consciente.

O que mais muda, porém, é o uso de cores nos quadros de Van Gogh.

O vermelho sumiu

Uma descoberta surpreendente do estudo diz respeito às mudanças nas cores dos quadros, que podem ter sofrido com a degradação de alguns pigmentos.

Na virada do século XX, época de Van Gogh, estava apenas começando a venda de pigmentos prontos (até então, os artistas misturavam seus materiais todos no estúdio). O problema é que a indústria incipiente ainda não sabia como esses pigmentos se comportariam com o passar dos meses e dos anos.

Resultado: alguns tons – no caso de Van Gogh, notadamente os tons de vermelho – foram sumindo.

Assim, no caso do famoso quadro O quartoo artista teria originalmente pintado as paredes de um tom violeta. Conforme o pigmento vermelho foi sumindo, sobrou apenas o azul que foi misturado para originar o tom.

van gogh mudanca02 Descoberta: quais as verdadeiras cores de Van Gogh?

O mais interessante é que a mudança de cor alterou totalmente a atmosfera da obra. A combinação de amarelo com lilás é mais suave, dando uma sensação mais acolhedora ao ambiente.

“[A combinação de cores original] não é tão contrastante quanto a que conhecemos”, explica Marije Vallekoop, chefe de pesquisa e apresentação do Museu Van Gogh. “Era algo que ele queria expressar na pintura – tranquilidade e relaxamento”.

Outras obras também tiveram mudanças curiosas. Algumas pinturas de flores, frutos e árvores, por exemplo, mudaram totalmente: botões de flor que eram cor de rosa viraram brancos, levando pesquisadores a acreditarem que eram outras espécies de plantas.

FalaCultura. c2013.                                                                                               Disponível em: <http://falacultura.com/2013/07/01/cores-van-gogh/>. Acesso em: 2 jul. 2013.

Cientista usa elementos químicos para criar formas de flores

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Um cientista aprendeu a manipular gradientes químicos para criar estruturas microscópicas semelhantes a flores.

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Wim L Noorduin, acadêmico da Escola de Enganharia e Ciências Aplicadas (SEAS, na sigla em inglês) em Harvard, descobriu que conseguia controlar o comportamento de minúsculos cristais para criar estruturas específicas. Segundo a SEAS, a equipe de Noorduin desenvolveu os cristais em placas de vidro e lâminas de metal.

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“Ao longo de pelo menos 200 anos, as pessoas vêm se questionando como formas complexas conseguem evoluir na natureza”, declara Noorduin. “Este trabalho ajuda a demonstrar o que é possível (fazer) apenas com mudanças químicas e ambientais.”

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Ainda segundo a SEAS, Noorduin e sua equipe dissolvem cloreto de bário (um sal) e silicato de sódio em um béquer de água. O dióxido de carbono do ar naturalmente se dissolve na água, dando início a uma reação que deriva em cristais de carbonato de bário.

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O processo químico também baixa o pH da solução ao redor dos cristais, o que, por sua vez, reage com o silicato de sódio dissolvido.

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Essa segunda reação adiciona uma camada de sílica às estruturas, usa o ácido da solução e permite a continuidade da formação de cristais de carbonato de bário.

Fonte: Portal BBC Brasil

Arte Cultura – BBC Brasil

O boletim semanal de cultura da BBC, Arte em Revista, apresenta vídeo sobre mostra na Open Gallery em Londres. O artista David Bowie está sendo “reinterpretado” por diversos artistas plásticos na exposição.

O vídeo apresenta também tema de exposição na capital americana, a artista minimalista Ellsworth Kelly é homenageada por seus 90 anos.

Outra atração cultural mostrada no vídeo é o circo UniverSoul, que está passando por 300 cidades americanas com seus ritmos do hip hop e talentos da cultura afro-americana em suas performances.

Também em destaque são as obras restauradas de Picasso, Matisse, Chagall, Miro e Le Corbusier  no Museu de arte bizantina em Atenas.

Confira o vídeo, clique aqui

Biblioteca "Professor Marcello de Vasconcellos Coelho" da Escola de Belas Artes da UFMG