Arte Como Experiência – resenha

Magali Reis I; Luiz Armando Bagolin II


I – Professora, doutora e pesquisadora na área de educação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais  magali_rei@pucminas.br
II – Professor, doutor e pesquisador na área de artes do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo lbagolin@usp.br

Arte além do bem e do mal

JOHN DEWEY (trad. Vera Ribeiro; introd.: Abraham Kaplan) SÃO PAULO: MARTINS, 2010, 646 p.

arte como experiênciaA arte, desinteressada, alojada em um pedestal como obra de arte, distante da vida comum e cotidiana, é desinteressante como experiência estética efetiva, sendo louvável tão somente por lembrar que em sua origem ela participava dos modos de ver e de sentir dos indivíduos que a perfizeram. Para John Dewey, a compreensão da experiência estética verdadeira passa pela consideração de seu “estado bruto” quanto às formas de ver e ouvir como geradoras de atenção e interesse, e que podem ocorrer tanto a uma dona de casa regando as plantas do jardim quanto a alguém que observa as chamas crepitantes em uma lareira. Resultado de dez conferências proferidas entre o inverno e a primavera de 1931 na Universidade de Harvard, a obra Arte como experiência, publicada pela primeira vez em 1934, sob o título geral The later works of John Dewey, somente agora surge traduzida para a língua portuguesa. Não muito distante da visão pragmatista que permeia a sua obra filosófica e sua teoria pedagógica, a opinião construída sobre a experiência artística focaliza a necessidade de se considerar o prazer e a satisfação envolvidos nesta experiência, cujo impulso é dado pelo próprio contexto no qual se insere o indivíduo.

Fundamentalmente neo-hegeliana, a visão de Dewey sobre a arte reclama pelo total engajamento do artífice em relação ao produto que fabrica, assim como pela consciência sobre o seu processo. Partícipe da vida, a arte se dá sob novas formas e modos de percepção na atualidade, pois distante dos pedestais dos museus e instituições onde se expõe oficialmente, aparece em lugares incomuns, mas que propiciam a busca do prazer e o exercício da sensibilidade. Ou, como propõe o autor que as artes que têm hoje mais vitalidade para a pessoa média são coisas que não são consideradas artes como, por exemplo, filmes, jazz, quadrinhos e, com demasiada frequência, as reportagens de jornais sobre casos amorosos, assassinatos e façanhas de bandido.

Para que essa opinião, talvez um lugar comum para a nossa época – prenhe de performances e instalações – não escandalizasse o leitor da sua obra, ou a audiência primeira destas conferências, Dewey chama a atenção para a possibilidade de se considerar que, nas sociedades antigas, as “artes do drama, da música, da pintura e da arquitetura” não eram manifestações que habitavam teatros, galerias e museus. Antes, participavam da vida coletiva, ligando-se organicamente umas às outras – a pintura e a escultura com a arquitetura, por exemplo, a música e o canto com os ritos e cerimônias da vida de determinado grupo.

O argumento, em sua base, é hegeliano, pois a obra de arte enseja sempre uma participação entre aquilo que é obra – portanto, a parte material, sensível, que se “expõe para” – e a arte – ou seja, a ideia trazida pelo “Espírito”, que “se expõe em”. Em outros termos, a obra é “de arte” quando dela, obra, construção humana numa determinada sociedade, participa o “Espírito”, ou o “Em-Si e Para-Si”, não havendo mais possibilidade de que tal associação se produza em nossa época, para a qual a arte tornou-se um “objeto de consideração científica”. O que se vê nos museus como “obra de arte” é apenas um corpo oco, desabitado do “Espírito” que, outrora, dela, como obra, participara. A arte verdadeira, nos tempos dessa participação, segundo Hegel, não era, desse modo, entendida como arte, pois as pessoas ajoelhavam-se diante dela no interior dos templos, mirando o sagrado de que se revestia o “Inteligível”.

Servindo-se desse argumento, Dewey tenta demonstrar como é necessário distinguir entre esses objetos, elevados ao status de obras de arte, mas separados da experiência temporal e social de sujeitos contemporâneos, e as formas novas de sensibilidade, na verdade, específicas e adequadas, pois não são universais, mas se justificam em cada época, permitindo a esses sujeitos expressarem a própria condição de vida. Para o autor, entretanto, a dessacralização da arte, entendida como experiência apartada da vida humana, foi agravada pelo capitalismo, cuja “influência” se fez sentir na instituição da arte: “O crescimento do capitalismo foi uma influência poderosa no desenvolvimento do museu como o lar adequado para as obras de arte, assim como na promoção da ideia de que elas são separadas da vida comum”. Associado ao materialismo crescente sobre as sociedades modernas, o capitalismo “enfraqueceu ou destruiu o vínculo” das obras de arte com os seus respectivos contextos de origem, o genius loci dos quais eram essas obras a “expressão natural”. A ruptura desse vínculo, segundo o autor, determinou a abertura de um “abismo entre a experiência comum e a experiência estética”, produzindo um esteticismo desenfreado que muito tem a ver com os modos de operar do comércio e do mercado, mas pouco com a experiência da arte. Teorias estéticas já existentes, as muitas, só ajudaram a aprofundar esse abismo. Portanto, para o autor, deve-se buscar a compreensão a partir de um “desvio”, dirigindo-se diretamente à experiência, solo comum, de onde as obras advêm. Indaga-se, de início, pela natureza da experiência como concernida à vida e às condições para a sua existência. Em primeiro lugar, na lista dessas condições, há um ambiente, um lugar no qual a vida surge e com o qual ela interagirá o tempo todo. Para Dewey, os “lugares-comuns biológicos são as raízes da estética na experiência”. Esta é resultante de um processo de adaptação pelo qual a vida busca a expansão (não a contração ou a acomodação), enfrentando todas as hostilidades e percalços ao seu desenvolvimento.

Por isso, os seres acolherão a ordem, em meio a um mundo que opera segundo o caos e a desordem, incorporando-a em si mesmos e compartilhando-a em suas ocorrências exteriores: a ordem sendo produzida em toda parte, também se produz fora dos seres. No homem, “a perda da integração ao meio” ou a impossibilidade de partilhar tal ordem geram sentimentos como a emoção, caso se ofereça a ruptura; ou a reflexão, caso seja gerada a discórdia. “Tensão e resistência” ativam, como potencialidade, a experiência para o artista, e como problema, a experiência para o cientista, embora esse processo possa ser invertido para ambos, por se originar a experiência, segundo o autor, do mesmo enraizamento: “o pensador tem seu momento estético quando suas ideias deixam de ser meras ideias e se transformam nos significados coletivos dos objetos. O artista tem seus problemas e pensa enquanto trabalha”. No entanto, o pensamento no artista ocorre em tal consonância com os meios que ele utiliza, que parece haver, entre pensamento e objeto, uma fusão em um só termo. Sem confusão, a experiência estética verdadeira enseja a harmonia, obtida desde que haja “de algum modo, um entendimento com o meio”. A arte que interessa realmente surge a partir do poder de realização de novas adaptações, perfazendo-se como experiência estética – portanto, significativa – em um tempo que é tão somente o de seu presente, consoante ao desfrute ou ao gozo que ela proporciona -, por conseguinte, não duradoura, mas não apartada do mundo. A experiência é, assim, sempre tratada como positiva, na medida em que, para o autor, só tende a incrementar a vida. A positividade proposta para a experiência bruta, primeira, implica que se considerem todos os sentidos ativos no mundo e com “o mundo dos objetos e acontecimentos”, no qual o “eu” busca o ritmo e a ordem livrando-se do caos: “a experiência é a arte em estado germinal”.

Mas é preciso que se note que os sentidos sofreram o mesmo tipo de separação que se deu com as formas de vida em suas representações institucionais, econômicas e jurídicas. Valorizados aqueles que se subordinam ao intelecto, desprezados aqueles que se distanciam da razão, em geral os sentidos são usados mecanicamente, sem que nos apercebamos disto. O uso dos sentidos recupera o seu sentido originário quando abarca e interpenetra todas as coisas do mundo, levando a “criatura” a experimentá-las, apontando os seus significados.

Discordando da posição kantiana, para quem a natureza produz efeitos e não obras, Dewey propõe o ninho do pássaro e o dique do castor como exemplos de “processos do viver” dos quais emerge a arte, sem que haja a necessidade de distingui-los no homem. Afirmada neste, como qualidade distintiva, a consciência é o agente promotor da transformação de materiais e energias da natureza em arte, sendo conduzida como experiência estética, pois envolve a participação ativa de todos os sentidos. A transitividade entre a sensação dos sentidos e o ambiente ou meio para a deflagração da experiência estética permite que o autor retome a noção romântica do artista absorto, imerso na natureza e a ela intrinsecamente ligado: W. H. Hudson, Emerson. O sublime, para Dewey, é o denominador comum entre a experiência estética e a religiosa, uma vez que ainda defende o sentimento extasiado como sumo efeito dos processos de interação da vida biológica (e não da espiritual) com o meio, nos quais a experiência artística é fulcro para os sentidos e a consciência, que se traduziram em ato sobre determinada matéria.

O pensamento tem papel fundamental nessa transitividade, pois proposto como movimento contínuo, seguido das teorias de seu amigo William James, permite ser representado pari passu às representações do sublime, em imagens anímico-climáticas, nas estéticas do século XIX. Ininterrupto, produzido em ondas, o pensamento só não é condutivo da experiência e conclusivo quando premido pela precipitação da vida apressada que o empobrece, enfraquecendo aquela ou sobre ela produzindo uma “interferência”. Dewey parece querer reivindicar a superação da dicotomia entre produção e recepção da obra de arte presente na estética kantiana, a produção a encargo do artista, gênio dotado de poderes de imaginação; a recepção a encargo do público, depois de mediada pelo juízo. Para o autor, quando a produção da obra de arte é desfrutada na experiência ou durante o processo de sua execução, o artista incorpora em si a mesma atitude do espectador. Este deve ser estimulado a refazer as “relações vivenciadas pelo produtor original” para perceber “o processo de organização consciente vivenciado pelo criador da obra”. Para Dewey, o espectador deve utilizar a obra de arte, que atesta uma experiência alheia, para criar a própria experiência, o que a potencializa como um ato de recriação significativa.

De maneira semelhante, é preciso superar a dicotomia entre matéria e forma presente em teorias estéticas ora “idealistas”, ora “sensualistas” que confirmariam a “falácia” contra a unidade dos dois termos na experiência. A superação dessa dicotomia faz com que se passe para a próxima, que rigorosamente é o cerne da discussão proposta pela estética de Dewey: a separação entre sujeito e objeto, tal como foram discriminados pela filosofia, não faz sentido para o verdadeiro conceito de experiência, uma vez que, para esta, corresponderiam o organismo e o meio ambiente, termos que, integrados na verdadeira experiência, como já referido, interagem de modo equilibrado. Os excessos contingentes, tanto de um lado como de outro, explicariam os defeitos numa obra de arte.

De todas as teorias filosóficas da arte, talvez a que mais se aproxime da estética de Dewey, segundo o que ele mesmo afirma neste livro, seja a da “teoria da arte como brincadeira”. Pelo menos aí haveria o reconhecimento da “necessidade da ação, do fazer algo”. Não há arte, para Dewey, sem a noção fundamental de que a ação permite a passagem do não ser para o ser, noção que é basilar também para o conceito de experiência. O “gatinho” brinca com o novelo de lã e esta brincadeira não difere muito da de uma criança pequena. Mas ao contrário do que ocorre com um animal, a manifestação da brincadeira no homem adquire em algum momento a necessidade de ordenação da experiência, transformando-se de brincadeira em jogo e, deste, em trabalho, embora não identificado com o cansaço e a labuta penosa. A experiência que deflagra a atividade artística, para Dewey, não pode ser coercitiva, mas livre e prazerosa, implicando não o trabalho em sua forma usual, pejorativo, mas sob a forma de uma experiência estética. Nisso, não difere muito o autor de Kant, do qual muitas vezes parece querer afastar-se, pois a “terceira crítica” kantiana expõe explicitamente a oposição entre “bela-arte”, ou “arte livre”, e “artesanato”, ou “arte remunerada”. A primeira, como jogo ou atividade que em si mesmo é prazerosa; a segunda, como gozável apenas em razão de um interesse atendido ou da expectativa de um valor aferido e satisfeito depois da atividade cumprida, mas não uma atividade deleitável por ela mesma.

A aproximação entre arte e brincadeira refaz, portanto, o vínculo entre arte ou experiência estética e “desinteresse”, conceito-chave das estéticas oitocentistas, pois a experiência da consecução da obra de arte deve necessariamente ter seu foco nela mesma como critério de exposição de sua unidade interna, o que seria difícil caso o propósito da interação entre sujeito e objeto, forma e matéria, estivesse colocado fora da experiência. Um interesse alheio a esta, como seu deflagrador, poderia ser lido logicamente como outra experiência, o que implicaria admitir que a experiência da arte não é livre, pois subordinada a interesses exteriores a ela, o “organismo”, portanto, não interagindo livremente e em reciprocidade com o “ambiente”.

Também, o papel da crítica como instrumento de mediação, como auxiliar para a “reeducação da percepção das obras de arte”, é resgatado por Dewey com base em Kant, embora o autor descarte a função moralizadora do juízo, suas “aprovações ou desaprovações”, “classificações e condenações”. “A função moral da própria arte é eliminar o preconceito”, propõe Dewey, dirigindo também ao crítico esta função, porque acredita que o juízo verdadeiro acerca da obra artística nasce da experiência de sua recriação, como reordenação da experiência que a gerou no organismo de quem dela provar. Para que a experiência da arte seja vivenciada pelo indivíduo livre, é necessário que a considere alienada em relação à “prática da moral”, que produz as ideias de “louvor e de censura”, de “recompensa e de castigo”. Indiferente a tais ideias, a arte, ainda pensada de forma idealizada por Dewey, é colocada como uma experiência acima do bem e do mal.

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A obra A Arte como Experiência de John Dewey está disponível para empréstimo n Biblioteca da Escola de Belas Artes  e na biblioteca da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas.

Fashion Rio será transmitido ao vivo na web

A 23ª edição do Fashion Rio começa no dia 15 de abril, segunda-feira, e até 20 do mesmo mês vai apresentar as coleções de Verão 2013/2014, na Marina da Glória, no bairro Flamengo, na capital fluminense.

O site Terra http://www.terra.com.br  transmitirá  todos os desfiles da coleção Fashion Rio ao vivo na íntegra com exclusividade para web.

DATA HORÁRIOS DESFILES
Segunda-feira (15/4) 19h
20h30
22h
2nd Floor
Filhas de Gaia
Alessa
Terça-feira (16/4) 12h
18h
19h
20h30
22h
Blue Man
Maria Filó
Coven
Iódice
Espaço Fashion
Quarta-feira (17/4) 17h
18h
19h
20h
21h
22h
Andrea Marques
Sacada
Oh Boy
Cantão
Lenny Niemeyer
TNG
Quinta-feira (18/4) 12h
17h
18h
19h
21h
22h
Patricia Viera
Nica Kessler
Herchcovitch
Salinas
Coca Cola Clothing
Reserva
Sexta-feira (19/4) 17h
18h
19h30
21h
22h
Bianca Marques
Oestúdio
R.Groove
Triya
Äuslander

Confira o perfil dos participantes desta edição do Fashion Rio:

 

 Foto: Divulgação

 2nd Floor

Ellus 2nd Floor foi criada por Nelson Alvarenga e Adriana Bozon e é a irmã mais nova da Ellus. Surgiu de um projeto de mesmo nome que, em 2002, abriu espaço para revelar novos talentos na moda nacional. A estreia como marca foi em 2007, com um desfile para o verão 2008 no SPFW. Faz parte do line-up do Fashion Rio desde a coleção verão 2012. A criação é do estilista Thiago Marcon, sob a direção de Adriana Bozon.

 Foto: Divulgação

Filhas de Gaia 

As amigas de infância e estilistas Marcela Calmon e Renata Salles lançaram a grife em 2005. Tudo começou com um ateliê em um casarão, no Rio de Janeiro. A marca estreou no Fashion Rio em junho de 2008, apresentando a coleção de verão 2009.

 Foto: AgNews

Alessa
A grife comandada pela estilista Alessa Migani foi criada em 2002 com a abertura de um ateliê em Ipanema, no Rio de Janeiro. Alessa fez mestrado na Central St. Martins, em Londres, e gosta de criar peças com bom humor e referências brasileiras. Estreou no Fashion Rio em 2005, com a coleção verão 2006, com um desfile em sua loja, Casa da Alessa, mas já fez apresentações no Morro do Pão de Açúcar (verão 2007) e dentro do supermercado Pão de Açúcar (Inverno 2006).

 Foto: Divulgação

Blue Man

Em maio de 2012, com a coleção Verão 2013, a Blue Man apresentou no Fashion Rio o desfile que comemorou os seus 40 anos. Foi fundada por David Azulay, que morreu em 2009. Sharon e Thomaz Azulay, respectivamente filha e sobrinho de David, assumiram a grife no início de 2011.

 Foto: Divulgação

Maria Filó

Criada em 1997 por Célia Osorio, a marca se destaca pelas peças de tricô.  Roberta Ribeiro, filha de Célia, está até hoje à frente do estilo da marca. Será a estreia da grife no Fashion Rio. A Maria Filó tem 60 lojas no Brasil, 13 no Rio de Janeiro. Recentemente, a empresa anunciou que firmou parceria com a grife Filhas de Gaia, num projeto de expansão da marca no varejo.

 Foto: Divulgação

Coven 
Fundada em 1993 por Liliane Queiroz, que era quase um arquiteta formada quando descobriu sua verdadeira vocação. Liliane praticou sua aptidão para a mistura de cores e elaboração de texturas, criando peças exclusivas em tricô, que deram origem a Coven. O primeiro desfile no Fashion Rio apresentou a coleção Verão 2003.

 Foto: Divulgação

Iódice 
A Iódice foi fundada em 1987 e estreia nesta edição no Fashion Rio. Começou a desfilar no SPFW em 1996, quando a semana de moda paulistana tinha o nome de Morumbi Fashion. Valdemar Iodice, fundador da marca, afirma que vai permanecer no line-up do Fashion Rio. A grife abriu em março sua primeira loja na cidade do Rio de Janeiro e essa estratégia tem como foco priorizar o mercado brasileiro.

 Foto: Divulgação

Espaço Fashion 
A Espaço Fashion foi criada pelas irmãs Bianca e Camila Bastos, em 1996. A grife entrou no Babilônia Feira Hype, em 1997. A primeira loja foi inaugurada em 1999. Estreou no Fashion Rio em junho de 2008, com a coleção de verão 2009.

 Foto: Divulgação

Andrea Marques
Em 2007, Andrea Marques desligou-se da Maria Bonita Extra, da qual ficou à frente por 15 anos, e fundou sua grife. Em janeiro de 2010, passou a fazer parte do line-up do Fashion Rio.

 Foto: Divulgação

Sacada
A grife surgiu em 1982. A diretora criativa e proprietária da marca é Beti Speiski. A Sacada começou a desfilar no Fashion Rio na temporada de verão 2013. A marca faz parte do mesmo grupo que comanda as marcas Oh Boy! e Addict. Na temporada passada, de inverno 2013, mostrou coleção que investia em tecidos pesados.

 Foto: Terra

Oh Boy!
Marca jovem do grupo Sacada, que detém as marcas Sacada e Addict, estreou nas passarelas do Fashion Rio em maio de 2012, na temporada verão 2012/2013. A grife integrava o Fashion Business. A estilista Thais Losso é consultora da marca desde dezembro de 2011 e, ao lado do stylist Felipe Veloso, foi responsável pela coleção mostrada no primeiro desfile no evento. Na edição passada, a de inverno 2013, a grife colocou um gato e um cachorro no colo de modelos durante a apresentação.

 Foto: AgNews

Cantão
A marca foi criada em 1967 por Leila Barreto e Peter Simon e desde 2005 lança coleções no Fashion Rio. Em janeiro de 2011, o estilo da grife foi assumido por Lanza Mazza, que foi da Mara Mac por 15 anos. Lanza é irmã gêmea da apresentadora do programa da Globo Bom Dia Brasil, a jornalista Renata Vasconcellos. A Cantão pulou a última temporada do Fashion Rio, chamada de transição, realizada em novembro.

 Foto: AgNews

Lenny Niemeyer
A primeira carreira de Lenny foi a de paisagista. Isso trouxe para as peças da marca estampas e outros elementos inspirados na natureza. A grife começou com a estilista fazendo peças para seu uso pessoal, já que não encontrava o que procurava nas marcas existentes. Lenny comprou material, contratou uma costureira e começou a produzir peças na garagem de sua casa, inclusive para outras grandes confecções. Em 1995, decidiu lançar sua marca própria e abriu loja no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro. A grife está obrigada judicialmente a se chamar Lenny Niemeyer e não apenas Lenny, pois o nome é de propriedade do designer de acessórios Lenny Mattos, da grife Lenny & Cia. No ano passado, a estilista comemorou 20 anos de carreira.

 Foto: Divulgação

TNG
Jeanswear com referências ao esporte se destaca no estilo da marca, criada em 1984 por Tito Bessa. É uma das mais tradicionais do país e seu nome é uma abreviação da palavra teenager (adolescente), em inglês. A TNG participa do Fashion Rio desde 2003 e seus desfiles sempre contam com presença de personalidades. Já pisaram nas passarelas da grife Naomi Campbell, Reynaldo Gianecchini, Rodrigo Lombardi, Juliana Paes, Carolina Dieckmann, entre outros.

 Foto: AgNews

Patrícia Viera 
Patrícia Viera trabalhava com couro desde 1998, época em que produzia para a Daslu, Maria Bonita Extra e Lenny. Em 2005, consolidou sua marca ao abrir uma loja nos Jardins, em São Paulo. Depois de participar de duas edições do Fashion Rio em 2005, Patrícia foi para o SPFW em 2006. Desfilou também no Fashion Business e volta nesta edição ao Fashion Rio.

 Foto: Divulgação

Nica Kessler
Criada em 2007 pela estilista Nica Kessler, com a abertura de uma loja no segundo andar do Fórum de Ipanema. A estilista fez curso de moda na Saint Martin School, em Londres, e, em seguida, foi para Barcelona, onde adquiriu o máster na Escuela Superior de Diseño de Moda Felicidad Duce. Está no Fashion Rio desde a temporada Inverno 2010, que aconteceu em janeiro do mesmo ano.

 Foto: AgNews

Herchcovitch
Trata-se da grife jeanswear do estilista Alexandre Herchcovitch. Sua linha pret-à-porter é mostrada sempre no São Paulo Fashion Week. As coleções mais casuais são lançadas no Fashion Rio desde a temporada verão 2012, que aconteceu em junho de 2011. A grife foi criada em 1998. Alexandre formou-se em moda pela Faculdade Santa Marcelina em 1993 e desde o desfile de graduação já chamou a atenção do mercado. É um dos estilistas brasileiros mais importantes e um dos que mais possui produtos licenciados e parcerias com empresas, desde moda, até roupas para casa, objetos de decoração, entre outros.

 Foto: Divulgação

Salinas 
A Salinas começou com uma pequena fábrica em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, com peças de Jacqueline e Tonico de Biase. Em 1982, abriu sua primeira loja em Ipanema. Estreou na passarela do Fashion Rio em sua primeira edição, em 2002.

 Foto: Divulgação

Coca-Cola Clothing
A marca lança coleções no Fashion Rio desde 2008. É fruto de um licenciamento da Coca-Cola para o grupo AMC Têxtil, o mesmo da Colcci. O estilo está sob o comando de Thais Rossiter, que cria peças jovens e urbanas. Na temporada inverno 2013, lançou uma ferramenta que permitiu comprar roupas direto da passarela, por meio de uma pré-encomenda feita durante o desfile.

 Foto: Divulgação

Reserva
Surgiu em 2005, quando os amigos Rony Meisler, Fernando Sigal e Diogo Mariani resolveram fazer uma bermuda para se diferenciar da peça tão comum vista na academia. Deu tão certo que começaram a vender com sucesso e lançaram a grife masculina à qual deram o nome da praia que frequentavam no Rio de Janeiro. Estreou no Fashion Rio em 2008, com a coleção verão 2009.

 Foto: Divulgação

Bianca Marques
Bianca Marques inaugurou seu primeiro ateliê em Ipanema, em 2007. No ano seguinte, o ateliê se mudou para uma casa na Rua Redentor, aderindo ao Quadrilátero do Charme. Em 2010, a marca dividiu sua linha em Prêt-a-Porter, Haute Couture e Noivas. Estreou no Fashion Rio em janeiro de 2012, com a coleção de inverno 2012.

 Foto: Divulgação

OEstúdio
O coletivo OEstúdio surgiu em 2001 e é comandado por sócios (coletivo de artistas e designers, que tem como estilista Anne Gaul). Não trabalha apenas com moda, interage com outras mídias, como gráficos e filmes. Estreou no SPFW em 2006, com tendências para o verão 2007. Migrou para o Fashion Rio em junho de 2010, com a coleção de verão 2011.

 Foto: Divulgação

R.Groove 
Ex-integrante do Rio Moda Hype, a grife de moda masculina chegou ao evento em janeiro de 2010. É comandada por Rique Gonçalves, que começou a marca em 2007, com a proposta de fazer roupa divertida, descolada e confortável para homens e com referências aos universos do surfe, skate e do rock. Ele já foi guitarista de uma banda.

 Foto: Divulgação

Triya
Fundada em 2005, a Triya surgiu da sociedade das amigas Isabela Frugiuele, Carla Franco e Maria Isabel Fioravanti. Estreou na passarela do Fashion Rio em 2010.

 Foto: Divulgação

Ausländer
Criada em 2004 pelo estilista Ricardo Bräutigam, estreou no Fashion Rio em janeiro de 2009. A marca nasceu produzindo camisetas para homens e mulheres com estampas exclusivas. O nome, de origem alemã, significa “o que vem de fora, estrangeiro”.

Disponível em:  <http://moda.terra.com.br>. Acesso em: 12 abr. 2013.

Curiosidades

Shakespeare guardava comida para evitar a fome

Com medo de passar fome, o dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616) tinha o hábito de ter em casa alimentos acima das suas necessidades imediatas.

Em ‘Coriolano’, a peça que escreveu em 1607, a fome está bastante presente. Em ‘Rei Lear’, de 1605, a fome e a importância dos alimentos voltam a ser falados. Hoje, os investigadores sabem que este era um tema que interessava bastante a William Shakespeare.

De acordo com um estudo da Universidade de Aberystwyth, durante um período de cerca de 15 anos, que correspondeu a uma altura de escassez de alimentos no final do século XVI e início do século XVII, Shakespeare comprou e armazenou grão, malte e cevada, assegurando assim que a sua família não passava fome. Além disso, também vendeu alguns desses alimentos aos vizinhos, a preços bastante inflacionados.

Esta faceta de Shakesperare faz com que o vejamos de uma forma “mais humana, mais compreensível, muito mais complexa”, afirmou à BBC a investigadora Jayne Archer.

Disponível em: <http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=3141408&seccao=Teatro>. Acesso em: 05 abr. 2013.

– Aprecie as obras de William Shakespeare na biblioteca da EBA!

O beijo de Klimt & sua atração pelo feminino

Carolina Carmini

O Beijo poder ser considera a obra ocidental de maior sucesso: em todo o tipo de produtos que se possa imaginar já estamparam afigura do casal se beijando. No entanto, o sucesso pode ser o maior problema da obra, que tem sua imagem desgastada pela mídia. Contudo, O Beijo ainda é uma obra repleta de mistérios para todos.

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo
© Gustav Klimt, “O Beijo”, 1907-1908.

Gustav Klimt (1862-1918) e seus amigos haviam rompido com a Secessão de Arte de Viena, e organizaram a Kunstschau em maio de 1908, onde O Beijo foi exposto pela primeira vez ao público. Apesar das críticas a exposição, a obra foi imediatamente adquirida pela coleção nacional austríaca. Klimt já era o mais celebre pintor vienense e a cidade nesse período era prospera e cosmopolita e capital do Império Austro-Húngaro.

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo

Na cena, casal se encontra a beira de uma cama formada por flores e atrás dos amantes apenas um vazio salpicado em ouro. O mundo deles não é o nosso, é o mundo de fantasia e da intimidade. O Beijo é uma pintura intensamente erótica e apaixonante. A obra é o maior exemplo da fixação pelo sexo que Klimt possuía, pois a imagem do casal unido é gera um elemento fálico. Contudo, o momento eternizado pelo pintor é o mais terno e o romântico de uma relação amorosa, o beijo.

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo

Os corpos do casal estão separados por estampas distintas, mas funde-se em uma única massa: é um momento de plenitude. E a conjunção sexual entre os amantes. Viena no período era um centro de estudos da sexualidade e sociedade – Sigmund Freud e outros profissionais iriam elaborar teoria que revolucionariam a sociedade. A roupa do homem é coberta de formas retangulares, escolhidas como símbolo da masculinidade. Enquanto, as imagens arredondadas, curvas e floridas, do vestido são compreendias como elementos da feminilidade.

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo

O homem vestido com uma luxuosa capa coberta de elementos em ouro, com suas duas mãos ele segura o rosto da mulher para beija-la. A jovem de cabelos ruivos é um dos seus exemplos da fixação por mulheres de madeixas vermelhas.

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo

A figura masculina está em uma posição que impõe o movimento ao corpo feminino, ao segurar seu rosto para beija-la, enquanto a mulher se encontra ajoelhada, como demonstra seus pés. No entanto, um detalhe muda a interpretação e reforça a atração e fascinação de Klimt para o feminino. É o fato que em quase todas as suas obras, o rosto do homem está visível. Mesmo com sua presença imponente nas obras, seu rosto está escondido, mergulhado no corpo feminino.

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo

As flores e arbustos que formam uma cama na pintura são os únicos elementos que parecem ligar os amantes ao mundo real. O próprio artista cultivava flores e outras plantas, usando-as constantemente como elemento em suas obras. E demonstrava o conhecimento do significado simbólico de cada uma delas. Como as plantas douradas do quadro que contornam os pés da mulher são conhecidas como erva de Parnasso, um antigo símbolo da fertilidade.

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo

Sobre o casal, muitos especialistas afirmam que seria praticamente um retrato de Klimt com Emilie Flöge,(Viena, 1874 – Viena 1952) – eterna companheira e musa do artista – como amantes. Mas, Klimt não deseja representar uma mulher em especial e sim todas livres sexualmente.

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo
© Gustav Klimt, “Amor”, 1895.

O Beijo não foi à única tela com esse tema. A ideia do beijo e do enlace de um casal também fascinava o pintor vienense. Em Amor de 1895, o casal quase chega ao enlace, mas impedido pela inveja e a cólera, lembrando como o amor pode ser efêmero e passível de intervenções externas. Em 1902 realizou-se uma grande exposição dedicada a Beethoven e o pintor realizou um magnifico friso interpretando a Nona Sinfonia com elementos eróticos. O importante lembrar que o clímax da obra é exatamente um beijo – como elemento de felicidade e liberdade plena. E em 1904, foi a vez dos frisos do Palácio Stoclet, na cidade de Bruxelas, receber uma versão do enlace de Klimt.

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© Gustav Klimt, “Ode à Alegria”.

© Gustav Klimt, “O Abraço”, 1905-1909.

Essa foi a última obra do Período Dourado de Klimt e o maior representante da técnica e capacidade criativa do artista. A paixão pelo dourado vem desde infância com seu pai ouvires, com quem aprendeu a trabalhar com o ouro, mas foi após uma viagem a cidade de Ravenna na Itália que seu interesse intensificou-se. Lá ele conheceu os mosaicos bizantinos da Igreja de San Vitale repletos de trabalhos em dourado, que iriam inspira-lo por muitos anos.

arte austríaca, Gustav Klimt, O Beijo

A tela passou por diversas mudanças. A cama de flores foi terminada posteriormente e as flores na alça do vestido foram acrescentadas mais tarde e os pés foram alongados. O vestido ficou mais justo, deixando seu corpo mais delineado e conferindo uma silhueta mais sensual.

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Alguns críticos de arte, não veem a pintura como uma representação romântica. Afinal, apenas o homem está beijando. As mãos da mulher parecem tentar afasta-lo, enquanto ele a segura com as duas mãos sem ela entregar-se. Outros estudiosos, vão além e conjecturam que a mulher esteja morta e sua cabeça decapitada, devido ao posicionamento no quadro. Porém, a idealização da imagem é livre para todos que se apaixonam por esta obra-prima de Klimt.

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Sobre O Beijo
Título original: Der Kuss
Ano: 1907-1908
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 1,80m x 1,80m
Coleção: Galerie Belvedere, Viena, Áustria

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Klimt e a eterna atração pelo feminino

Carolina Carmini

Este ano comemoram-se 150 anos do nascimento de Gustav Klimt (1862-1918), um dos grandes artistas europeus e um dos percursores da vanguarda vienense. Sua vida foi tão intensa quanto sua obra, e em ambas a paixão pelas mulheres – em seu intimo e despidas de vestes e valores morais – foi seu guia. Nuas, vestidas, deitadas, em movimento ou em momentos íntimos – poucos artistas estiveram tão envolvidos com o universo feminino.

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© Gustav Klimt, “Beethoven Frieze” (1901-02) , Belvedere, Viena.

Gustav Klimt viveu em Viena em um momento de efervescência. Durante o século XIX, a cidade se urbanizou; novas ideias a invadiam e atraiam intelectuais de diversas localidades. Um cenário intenso que permitiu muitas alterações no conhecimento científico, na sociedade e na arte. Antes de Klimt, a pintura praticada na cidade era provinciana e a maioria das obras eram retratos da elite vienense. O artista traz uma percepção do espirito humano, um estilo pictórico e decorativo, que vai influenciar o art nouveau. Suas obras são caracterizadas como pertencendo ao simbolismo, e dialogam com a arte japonesa e africana, o que resultou em uma pintura peculiar e muito própria.

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© Gustav Klimt, “Palas Atena” (1898).

Foi nesse período que Klimt e mais dezoito artistas dissidentes da Associação dos Artistas Vienensesa criaram a Secessão Vienense, uma crítica à liberdade de criação tolhida pelas academias. Os membros da Secessão foram influenciados pelo movimento Arts and Crafts, da Inglaterra. O grupo buscava resgatar as qualidades do fazer artesanal contra a mecanização, integrando-o com a arte e arquitetura. O afresco Beethoven Frieze é um dos grandes exemplos desse período.

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© Gustav Klimt, “As Três Idades da Mulher” (1905).

Ao deixar a Secessão, a obra de Klimt passou a ter um caráter mais pessoal. Assim, as mulheres tornaram-se o foco de atenção, uma verdadeira obsessão do pintor – que soube como retratá-las diante do novo século. Klimt utilizou-se das curvas femininas e do olhar evocativo das mulheres, sempre colocadas como figuras centrais, como verdadeiras armadilhas de sedução para o observador. A nudez é sempre crua, e as mulheres não são objetos passiveis para o prazer, mas para excitar com o seu próprio prazer. E o nu frontal, mostrando até mesmo os pelos pubianos, rompeu totalmente com o conservadorismo tanto da sociedade quanto das artes.

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© Gustav Klimt, “Serpentes Aquáticas” (1904-1907).

A obra de Klimt possui um equilíbrio e um diálogo único entre o refinamento sensível e decorativo e a morbidez de sua figuras, que pendem para o simbolismo. Os ornamentos aparentam ser simbólicos em diversos momentos, criando ritmos nos elementos de cinzas e pérolas pálidos e dourado e prata vívidos. A ornamentação foi o caminho escolhido pelo artista para criar uma atmosfera de sonho, onde as figuras não estão ligadas a nenhum tempo ou local, repleta de alegorias que estimulam a imaginação.

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© Gustav Klimt, “Fritza Riedler” (1906) , Belvedere, Viena.

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© Gustav Klimt, “Frizo Stoclet – O abraço” (1905).

As joias, parte desta ornamentação, são de uma delicadeza e cuidado que atraem o olhar. Assim como as vestimentas. Em 2008, John Galliano apresentou em um desfile da Dior uma coleção totalmente inspirada nos vestidos usados pelas mulheres de Klimt em suas obras. O artista fez parte do Movimento pela Reforma do Vestuário, que pregava um novo tipo de vestimenta para as mulheres – assim como uma reforma nas regras de comportamento. Os vestidos tinham inspiração nas túnicas africanas de cortes largos e com tecidos de estampagem étnicos.

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© Gustav Klimt, “Adele Bloch Bauer” (1907).

Outro elemento recorrente nas pinturas de Klimt são as ruivas. Influenciado pelos pré-rafaelitas, que popularizaram a imagem da mulher ruiva, nas obras do artista as madeixas vermelhas ganham o status de sedução e feminilidade.

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© Gustav Klimt, “Danae” (1907-08).

Klimt realizou cerca de 3.000 desenhos eróticos, muitas vezes com cenas de sexo explícito – a maioria publicada após a sua morte. Além dos desenhos, muitas de suas pinturas trazem uma carga de intenso erotismo. O ato sexual é revisto através dos personagens clássicos da mitologia grega. A vida também é vista através da passagem do tempo e do sexo. Outra questão explorada por Klimt é o amor entre as mulheres, como na obra As Amigas. E quando o homem se faz presente nas pinturas, é como voyeur ou como complemento.

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© Gustav Klimt, “Danae” (1907-08).

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© Gustav Klimt, “O Beijo” (1908), Belvedere, Viena.

Klimt sentia-se atraído pela mitologia, principalmente pelas sereias – que eram vistas pelo artista como um símbolo ambíguo da feminilidade e perversidade da mulher. Em Água Agitada, as sereias são mulheres de extrema sensualidade, com seus corpos nus de formas sinuosas como se acompanhassem o movimento da água. Um verdadeiro simbolismo erótico. Muitas das mulheres retratadas pelo artista possuem corpos de uma incrível leveza, como se estivessem flutuando no ar ou na água, sem direção ou orientação.

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© Gustav Klimt, “Água Agitada” (1898), Private Collection, Galeria St. Etienne, Nova Iorque.

Já em Judith I, o artista traz uma inovadora versão do mito. Ícone da mulher fatal capaz de submeter qualquer homem aos seus desejos, na obra de Klimt ela aparece sem disfarçar o prazer da dominação – como um prazer sexual – ao segurar a cabeça do general assírio por cuja morte foi responsável. Repleta de ouro – com um fundo em que Klimt buscou reproduzir os relevos assírios do palácio de Nínive – Judith aparece com a roupa transparente e os seios nus. Seus cabelos negros contrastam com os trabalhos em dourados. Uma feminilidade agressiva, onde a mulher tem o pleno poder, mas ainda é repleta de sensualidade.

© Gustav Klimt, “Judith” (1901), Belvedere, Viena.

No final da vida, Klimt abandonou o dourados e as cores fortes e passou a utilizar os tons pastel. Uma viagem à França também fez com que se encantasse pelo impressionismo e com isso alterasse suas pinceladas. Mas seu olhar permaneceu eternamente atraído pelas mulheres.

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© Gustav Klimt, “Mäda Primavesi” (1912-13), Belvedere, Viena.

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© Gustav Klimt, “Família” (1912-13), Belvedere, Viena.

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Obras sobre Klimt na Biblioteca de Belas Artes :

A MULHER na pintura. São Paulo: Abril Cultural, c1976 1 v. (folhas soltas)

BRANDSTATTER, Christian. Klimt e a moda. São Paulo: Cosac & Naify, 2000. 79p. : (Universo da moda)

COLEÇÃO as pinturas mais valiosas do mundo.. São Paulo: Caras, [2007]. 25 v. ISBN 8575212966 (v.1).

FLIEDL, Gottfried; KLIMT, Gustav. Gustav Klimt 1862-1918 : o mundo de aparencia feminina. Koln: Benedikt Taschen, c1994. 239p.

GENIOS da pintura.. São Paulo: Abril Cultural, c1980 v.

KANDINSKY, Munch, Klimt.. 2 ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. 76 p. (Os Grandes Artistas . Modernos.)

KLIMT, Gustav. Gustav Klimt.. New York: Gramercy Books, 1994. [90]p.

KLIMT, Gustav; DOBAI, Johannes. Landscapes. London: Weidenfeld and Nicolson, c1988 142 p.

KLIMT, Gustav; FOLHA DE S. PAULO (FIRMA). Klimt. Barueri, SP: Editorial Sol 90, 2007. 96 p. (Coleção Folha grandes mestres da pintura ; 20)

NERET, Gilles. Gustav Klimt: 1862-1918. Koln: Benedikt Taschen, c1994. 96p.

NERET, Gilles. Gustav Klimt: 1862-1918. Koln: Benedikt Taschen, c2006. 96p.

PINACOTECA caras.. São Paulo: Caras, 1998-1999. 30 v.

Lançamento de livro do grupo Quatroloscinco

quatroloscinco

O grupo Quatroloscinco – Teatro do Comum, originado de um grupo de estudos dos alunos de teatro da UFMG, criado para discutir a dramaturgia contemporânea na América Latina, fará o lançamento do livro “É só uma formalidade e Outro Lado”, publicado pela Coleção Dramaturgias do Selo Questão de Critica.

Em “É Só Uma Formalidade” um homem recebe a notícia da morte do pai, um outro escreve uma carta de divórcio. Tratadas com humor e ironia, estas duas situações servem de pretexto para que os atores discutam os rituais do mundo civilizado. No ringue das relações humanas, há sempre o risco de ir a nocaute. A gente pode abandonar certas coisas. A gente pode inventar. Afinal, a vida não é bonita o bastante.

O “Outro Lado” conta a estória de pessoas que compartilham alguns anos de suas vidas dentro de um pequeno espaço. Elas poderiam ter tomado outros caminhos, talvez nunca teriam se encontrado, milhões de combinações possíveis. No entanto, estão ali. Lá fora, o mundo está um caos e poucos têm coragem de sair de suas casas. Mas amanhã será um novo dia! Amanhã! Quando todos viverão outra época da humanidade.

O lançamento faz parte da programação do festival cena espetáculo do galpão cine horto, que abre as comemorações de 15 anos do centro cultural do grupo galpão.

O lançamento acontecerá no dia 16 de março às 19h no Galpão do Cine Horto na Rua Pitangui, 3613 – Horto – Belo Horizonte.

Conheça mais do grupo em seu site!

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Exposição “Avestruz” de ex-aluna da EBA discute as relações de poder

Resultado de um trabalho iniciado em 2006, a exposição “Avestruz – Só Tenho Rascunhos”, da multiartista Paola Rettore, será aberta hoje e permanece em cartaz no Memorial Minas Gerais Vale até abril.

Mistura de muitas linguagens, realizadas por vários artistas convidados, a exposição tem fotografias de Eugênio Sávio e Weber Pádua, esculturas e figurinos de Marciano Mansur, vídeos de Marcelo Kraiser, poemas e ainda performances de Paola.

Personas. Ciborgue é uma das sete personagens presentes na exposição e nas performances.
Personas. Ciborgue é uma das sete personagens presentes na exposição e nas performances.

O foco da exposição está em sete personas construídas como roupas-armaduras, identificadas como Banho, Contempla, Esmalte, Sofia, 50’, Convidada e Palestrante.

Em 2011 e 2012, a artista levou esses figurinos à rua, em intervenções urbanas que deram origem ao livro-objeto homônimo à exposição, que teve tiragem de 200 cópias.

A intenção de Paola é buscar, no limite do exagero, ironia e provocação, um questionamento sobre as relações de poder. O nome da exposição sugere algo desengonçado e engraçado.

“Vejo esta exposição como um trabalho político, mas extremamente poético. As pessoas podem ver e se divertir, mas vão perceber que existem outras camadas, em níveis mais profundos”, afirmou a artista.
A mostra reúne todas as etapas do trabalho e expõe parte do processo criativo de seus artistas. “Ela foi construída de uma maneira muito bonita. Cada peça mostra a potência artística do seu criador”, analisa Paola.

Vestida como uma das personagens, a artista fará performances ao vivo, ao meio-dia, em 17 de março e 14 e 21 de abril. “No feriado, vai ser uma diversão. Vou levar a Sofia (uma das personas), que vai distribuir diplomas às pessoas”.

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O QUê. Exposição “Avestruz – Só Tenho Rascunhos”, da multiartista Paola Rettore

Quando. De 06 de março a 30 de abril, às terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 17h30; às quintas, das 10h às 21h30 e domingos, das 10h às 15h30.
Onde. Memorial Minas Gerais Vale (praça da Liberdade).
Quanto. Entrada franca

Programa mostra a exposição de Edward Hopper

Edward Hopper

Consulte também as obras disponíveis na Escola de Belas Artes sobre Edward Hopper:

RENNER, Rolf Gunter.; HOPPER, Edward. Edward Hopper, 1882-1967: transformações do real. Koln: Benedikt Taschen, c1992. 96p.

KRANZFELDER, Ivo; HOPPER, Edward. Edward Hopper 1882-1967: visão da realidade. Koln: Taschen, c1996 200p. ISBN 3822890286 (broch.).

MARLING, Karal Ann; HOPPER, Edward. Edward Hopper. New York, USA: Rizzoli International Publications, 1992. [24]p. (Rizzoli Art Series)

HOPPER, Whistler, Sargent. 2. ed. . São Paulo: Nova Cultural, 1991. 76 p. (Os Grandes Artistas Modernos) DISPONÍVEL NA BIBLIOTECA DA ESCOLA DE ARQUITETURA

Também disponível no youtube, vídeo em inglês com palestra sobre o artista :

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Iy9ImZOuKqw]

A cultura da moda nordestina

As danças populares e o artesanato também são outros exemplos de patrimônios culturais

 

Publicado no Jornal OTEMPO, Caderno Pandora

 Tarcísio D’Almeida

Não somente o universo da música nordestina nos presenteou com cantores e compositores do calibre de Alceu Valença, Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Chico Science, dentre outros, mas também com a literatura de Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Ariano Suassuna, dentre tantos, orgulha-nos com suas sensibilidades interpretadas em canções e impressas nas páginas dos romances, crônicas e poemas. As danças populares e o artesanato também são outros exemplos de patrimônios culturais.

A área cultural da moda da região Nordeste do Brasil tem poucos nomes celebrados no cenário nacional e internacional. Mas esse quadro está mudando graças à realização da principal semana de moda da região, a Dragão Fashion Brasil (DFB), em Fortaleza (CE), a qual direciona e objetiva seus spots para a potencialização dos criadores regionais e que, na edição 2011, propõe o tema Artesanias: Identidades da Moda. O DFB, que tem esse nome por ter sido idealizado para acontecer no Centro Cultural Dragão do Mar, tem trilhado uma trajetória de descobertas e investimentos no traço autoral e conceitual dos criadores de moda da região, responsável por boa parte da autêntica produção com assinatura cultural do país e autoral no desenvolvimento das coleções.

Por mais que conheçamos alguns nomes como os estilistas pernambucanos Eduardo Ferreira, Walério Araújo, Melk Zda e Gustavo Silvestre; os baianos Gloria Coelho, Márcia Ganem e Marcelu Ferraz; o cearense Weider Silveiro; os quais desfilam (ou desfilaram) em semanas como SPFW, Casa de Criadores e Fashion Rio, a boa notícia é podermos assistir à evolução e à maneira diversificada de se criar moda com verve criativa e autêntica de criadores que sabem como traduzir traços culturais de suas terras e povos nos processos criativos da moda, tornando-a única (por não ter medo de assumir seus traços e identidades), mas também global e acessível (tanto no sentido estético como mercadológico por conceber moda com DNA do nosso país que adquire êxito também no mercado externo).

Pensando dessa maneira, vimos emergir nas passarelas nomes lançados e já celebrados pelo DFB, como o cearense Mark Greiner, além dos novos talentos, como o baiano Tarcisio Almeida e o cearense Lindebergue Fernandes. Outro palco para jovens criadores nordestinos é o Rio Moda Hype (RJ), que tem em seu line-up o piauiense Martins Paulo, além dos baianos Vitorino Campos e Alexandre Guimarães. Mas não podemos nos esquecer de um grande precursor, o baiano Ney Galvão, que, nos anos 1970, interpretou a vitalidade do povo brasileiro em suas visões de moda. Que tal criarmos a Semana de Moda do Nordeste do Brasil?

Tarcisio D´Almeida é professor e pesquisador do curso Design de Moda da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal de Minas Gerais (EBA-UFMG). tarcisiodalmeida@eba.ufmg.br. Ele divide este espaço com Susanna Kalhs e Jack Bianchi.

Adriana Varejão fala sobre sua obra e suas inspirações criativas – Vídeo

Adriana Varejão

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Assista também a entrevista concedida na TV Cultura

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=09jwnFT9G0g]

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Encontra-se disponível na Biblioteca de Belas Artes a seguinte obra sobre a artista :

VAREJÃO, Adriana. Adriana Varejão: entre carnes e mares = between flesh and oceans.. Rio de Janeiro: Cobogó, 2009. 350p. I

Biblioteca "Professor Marcello de Vasconcellos Coelho" da Escola de Belas Artes da UFMG