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Livro explica como resgatar telas roubadas e apontar falsas telas

Livro destinado ao público juvenil e aos amantes dos desenhos em quadrinhos utiliza a linguagem dos quadrinhos para mostrar como a ciência pode ajudar na resolução de crimes.

Título: Detetive Intrínculis e o roubo da Mona Lisa            AutoresCarla Baredes, Amaicha Depino
Editora: Panda Books
Ano de Edição: 2013
Nº de Páginas: 47

Detetive Intrínculis e o roubo da Mona LisaDetetive Intrínculis e o roubo da Mona Lisa

Detetive Intrínculis e o roubo da Mona Lisa

Em agosto de 1911, a pintura mais famosa de Leonardo da Vinci, Mona Lisa, foi roubada do Museu do Louvre, em Paris, por Vincenzo Peruggia, um antigo funcionário do museu. O mercado de crimes contra a arte pode parecer insignificante e só ganhar espaço na imprensa diante de roubos como esse, mas, na verdade, chega a movimentar 6 bilhões de dólares ao ano. Tanto que chamou a atenção de duas argentinas, Amaicha Depino e Carla Baredes, que transformaram a ocorrência do Louvre em ficção e a verteram para a linguagem dos quadrinhos no livro Detetive Intrínculis e o Roubo da Mona Lisa (tradução de Pablo Soto, Panda Books, 48 páginas, 32,90 reais), livro que explica como se dá o resgaste de telas roubadas e a identificação das falsificações.

Na obra, que está chegando agora às livrarias nacionais, Mona Lisa é propriedade da rica família Fortunis até que um dia desaparece da mansão. Para descobrir o autor do crime, a família recorre ao detetive Intrínculis, figura que concentra diversos clichês desses profissionais. Munido de capa de chuva impermeável e lupa, o personagem, politicamente correto, só dispensa o cachimbo, pois afirma que fumar é um mau hábito. Outros detetives famosos, como Sherlock Holmes e Hercule Poirot, criado pela escritora Agatha Christie, também são lembrados pela história.

Por meio das ilustrações de Fabián Mezquita, o livro conta como esses casos podem ser solucionados com a ajuda da ciência, desde o momento em que se colhem as impressões digitais deixadas no local do crime até a análise para verificar se a obra encontrada é a verdadeira. Até mesmo objetos retratados à exaustão em filmes e programas de televisão são lembrados, como o detector de mentiras e o soro da verdade – que nada mais é do que um combinado de substâncias químicas, usado geralmente na anestesia de pacientes antes de uma cirurgia. O livro ainda explica, passo a passo, como reconhecer um quadro falsificado.

Como identificar uma pintura falsa:

Análise da técnica de pintura

O primeiro passo para descobrir se uma pintura é falsa é analisar a técnica empregada na obra — as cores, o tipo de pincelada etc. Para isso, é necessário que um especialista em artes plásticas compare o traço, as proporções, os tons de cores e o acabamento da tela com outras obras do artista a quem se atribui a autoria. Se a técnica for semelhante, novos estudos, mais profundos, devem ser pedidos.

O mercado de roubo de arte chega a movimentar 6 bilhões de dólares por ano, o que fez necessária a criação do departamento de crimes contra arte do FBI, proposta de Robert Wittman

Radiografia da pintura

Depois da análise da técnica, é importante fazer uma radiografia da pintura para verificar se há áreas do quadro modificadas ou reparadas. Em alguns casos, também é possível descobrir se uma pintura foi coberta posteriormente por alguma camada de tinta e detectar a presença de elementos químicos no pigmento utilizado sobre a tela. Essa análise pode ser útil para a investigação de quadros antigos, uma vez que alguns elementos químicos só foram agregados a tintas recentemente, como o titânio. Se uma pintura do século XV contiver esse elemento em sua composição, ela provavelmente será falsa.

Retrato de Suzanne Bloch (1904), de Pablo Picasso, e O Lavrador de Café (1939), de Cândido Portinari, peças roubadas em dezembro de 2007, são analisadas pela restauradora Karen Barbosa

Análise da passagem de tempo

Se o quadro for antigo, é possível identificar a passagem de tempo observando suas rachaduras e craquelês. Para saber se o quadro foi falsificado ou não, um programa de computador usado por especialistas em artes plásticas pode ampliar as imagens e auxiliar na comparação entre ele e outra obra da mesma época. Se não houver marcas de tempo, o quadro é novo e, portanto, falso.

O Grito (1893), de Edvard Munch foi roubado em agosto de 2004 no Munch Museum em Oslo, Noruega. A peça foi recuperada dois anos depois e, em negociação com policiais disfarçados, os ladrões fecharam negócio por 750.000 dólares

Raios ultravioletas e infravermelhos

Além dos raios-X, raios infravermelhos e ultravioletas podem ajudar a descobrir os traços mais profundos de uma pintura. É possível saber, por exemplo, se um esboço a lápis foi feito antes da pintura em si e também quais foram os movimentos do artista com o pincel. Essas características podem ser comparadas com outras obras já conhecidas daquele que em tese é o autor da pintura e contribuir para a identificação da autoria.

Policiais observam as obras roubadas que voltaram ao Masp em janeiro de 2008.

Fluorescência de raios-X por reflexão

O exame de fluorescência por reflexão analisa de que forma os raios-X saem após serem refletidos pela obra de arte. Por meio desse estudo, é possível descobrir os elementos que constituem e a quantidade dos pigmentos aplicados na pintura, que então devem ser conferidos com os materiais utilizados pelo autor a quem é atribuída a tela.

A pintura Mona Lisa foi roubada em agosto de 1911, do Museu do Louvre, em Paris. 10% dos roubos de obras de arte acontecem em museus

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Reportagem de Meire Kusumoto disponível na Revista Veja online.

Tese premiada pela Capes analisa produção, uso e preservação de manuscritos pintados do século 18

A tradição medieval dos manuscritos ornados – com pinturas e caligrafia caprichada, entre outros elementos – manteve-se com força no século 18 em Portugal e no Brasil, mesmo passado longo tempo do advento da imprensa. Documentos produzidos dessa forma conferiam distinção e, portanto, eram mais eficientes do ponto de vista da comunicação e tinham mais chances de serem preservados.

Para entender como se produziam, usavam e preservavam esses manuscritos, a professora Márcia Almada, da Escola de Belas-Artes, percorreu arquivos e bibliotecas de Brasil, Portugal e Espanha. O trabalho resultou na tese Das artes da pena e do pincel: caligrafia e pintura em manuscritos no século XVIII, defendida em 2011, e vencedora do Prêmio Capes de Tese da área de História. A solenidade de premiação será na próxima quinta, 13, em Brasília.

A partir do Tratado de caligrafia, publicado por Manoel de Andrade de Figueiredo em 1722, em Portugal, a pesquisadora buscou as referências para o trabalho dos profissionais da atividade escrita. “Cheguei então aos espanhóis, porque havia estreita ligação entre a caligrafia espanhola e a portuguesa, devido, em grande parte, ao bilinguismo que reinava na Península Ibérica”, conta Márcia Almada.

Ela acrescenta que na Espanha há grande quantidade de estudos que traçam as redes sociais de escrivães e calígrafos. Um grupo principal atuava em forte proximidade à Corte, e muitos eram amigos de Velásquez, Calderón de la Barca e Lope de Vega. Em Portugal, Manoel de Figueiredo ensinava a filhos de fidalgos e também frequentava os círculos do poder. Isso mostra, segundo Marcia, a importância da escrita adornada para a distinção social.

“Além desses calígrafos de elite, havia uma enormidade de outros profissionais que não se destacaram. E eles atendiam a uma demanda que não era apenas de grupos sociais mais favorecidos. A clientela incluía grupos de negros – escravos ou libertos – e pardos. Pessoas iletradas também valorizavam os manuscritos adornados”, salienta a professora do curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis.

Compromissos de irmandades
Para delimitar o universo de suas pesquisas, Marcia Almada escolheu os chamados “compromissos de irmandades”, estatutos de organizações que regiam a vida social e religiosa de grupos diversos. Os estudos mais aprofundados sobre os documentos levaram à categorização de três estilos principais encontrados nos manuscritos produzidos sob encomenda das irmandades de Minas Gerais, na primeira metade do século 18.

Outra forma de concentrar a investigação foi a opção pela análise dos trabalhos do calígrafo tratado na tese como “o calígrafo/pintor de Vila Rica” – como a maioria dos trabalhos não era assinada, os pesquisadores recorrem a formas alternativas para identificar os profissionais. A escolha foi motivada, entre outros fatores, pelo fato de que um manuscrito desse calígrafo, datado de 1725, revela forte influência do tratado de caligrafia de Manoel de Figueiredo, publicado apenas três anos antes.

“Isso me intrigou, porque esse intervalo era curto, na época, para que um profissional tivesse acesso, em Minas Gerais, a uma obra editada em Portugal. Ainda pretendo descobrir como ele tomou conhecimento do tratado, se teria encomendado um exemplar em Lisboa, ou mesmo se, na verdade, o pintor de Vila Rica teria sido português, recém-chegado ao Brasil”, explica Márcia. Ela conta também que encontrou em Portugal um outro manuscrito do mesmo autor realizado no mesmo ano de 1725, o que foi especialmente valioso para suas pesquisas. “Quase chorei quando descobri o documento”, ela diz. Em trabalhos realizados nove anos depois, “foi possível perceber o aprimoramento técnico, embora ele ainda usasse os mesmos padrões na caligrafia e nas pinturas.”

‘Agentes iletrados da escrita’
A pesquisa de Marcia Almada proporcionou uma série de descobertas relacionadas ao processo de produção dos manuscritos. A análise dos textos revelou, por exemplo, as diferenças com relação à grafia das palavras. “Era uma época de normatização do idioma, que viria a se consolidar no final do século 18, com as políticas educativas de Marquês de Pombal, e várias formas de escrever ainda eram aceitas. O ensino, incluindo os materiais, não tinha uniformidade”, explica a pesquisadora.

Márcia comenta também que não era preciso saber ler e escrever para trabalhar como calígrafo, e os próprios manuais previam que bastava saber desenhar. “Esses profissionais eram os agentes iletrados da escrita, que denominei ‘desenhistas iletrados’. Os manuais recomendavam que se usassem moldes e se recorresse a uma pessoa letrada para conferir o resultado final”, diz Marcia Almada.

A partir de 1761, ela conta, os documentos das irmandades seguiam para Lisboa, para aprovação dos órgãos administrativos, como o Conselho Ultramarino, que se encarregava dos domínios coloniais. Trabalhos bem executados, com capitulares bem desenhadas e tinta de boa qualidade, mostravam capacidade operativa das irmandades. “O prestígio conferido por um documento adornado corresponde à forte valorização, pela sociedade setecentista, da visualidade, como comprovam as igrejas, os cortejos e os monumentos efêmeros”, destaca Marcia Almada. Com bolsas da Fapemig e da Capes, ela pesquisou em instituições portuguesas como a Biblioteca Nacional de Lisboa, a Torre do Tombo – que guardam documentos da biblioteca real –, o Arquivo Histórico Ultramarino e a Universidade de Coimbra. Na Espanha, visitou a Biblioteca Nacional e a Biblioteca da Residência de Estudiantes, que guarda o acervo do antigo museu pedagógico e conserva uma coleção consistente de manuais de caligrafia, impressos e manuscritos. No Brasil, explorou sobretudo estantes e armários do Arquivo Público Mineiro e dos arquivos eclesiásticos de Ouro Preto, Mariana e São João del-Rey.

Múltiplos suportes
Entre os aspectos que garantem o caráter inovador da tese de Marcia Almada, ela ressalta a exploração dos compromissos de irmandades, que haviam sido mais estudados por historiadores, privilegiando o aspecto textual, e a metodologia que lança mão de suportes múltiplos do conhecimento, como a história cultural, a história da arte, a paleografia e história material.

Ela considera que dispõe hoje de um inventário muito relevante do repertório estético dos calígrafos que trabalhavam no Brasil, especialmente em Minas Gerais. E que esse material pode servir de ponto de partida para uma série de outros estudos, da análise química dos pigmentos à trajetória da cultura visual daqueles profissionais. “Ainda há muito o que estudar”, diz Marcia Almada, que ainda não definiu o caminho das investigações do pós-doutorado que será financiado pelo Prêmio Capes de Tese.

Tese: Das artes da pena e do pincel: caligrafia e pintura em manuscritos no século XVIII
De Márcia Almada
Orientadora: Júnia Ferreira Furtado
Defesa em 15 de julho de 2011
Programa de Pós-graduação em História

(Itamar Rigueira Jr.)

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Assim que disponível em formato digital, divulgaremos aqui o link para a obra!

Biblioteca Universitária dá continuidade à campanha de Preservação de Acervo com a utilização da internet

A partir desse semestre, a campanha de preservação do acervo das bibliotecas da UFMG terá uma nova aliada: a internet. Twitter, flickr, hotsite, mensagens por e-mail e teste on-line serão empregados com o objetivo de conscientizar a comunidade acadêmica da necessidade de utilizar o acervo de forma correta. Também serão distribuídos marcadores de livros e fôlderes nas bibliotecas e realizada uma exposição.

A conservação de materiais informacionais é de suma importância na biblioteca da Escola de Belas Artes uma vez que muitas das obras de seu acervo possuem imagens e reproduções de arte que são de extrema relevância dentro da área.

Além disso, dada a especialização da biblioteca, muitas obras são de difícil acesso no mercado sendo imprescindível que ser conserve o acervo para que a informação esteja acessível para a comunidade usuária.

Você pode contribuir para a conservação do material informacional evitando:

  • fazer grifos e anotações a lápis, caneta ou marca-texto nas páginas dos livros;
  • virar as páginas com o auxílio de saliva, usar grampos, clips, fitas adesivas;
  • retirar o livro da estante forçando-o pelo alto da lombada;
  • inserir objetos, flores e outros papéis entre as páginas dos livros e revistas;
  • alimentar-se ou fumar próximo aos materiais bibliográficos;
  • fazer dobras nas pontas das páginas;
  • apoiar os cotovelos sobre livros, revistas;
  • expor os livros e demais materiais bibliográficos a excesso de luz, calor, poeira e umidade;
  • realizar qualquer tipo de reparo sem ter conhecimento para tal;
  • transportar CD’s, DVD’s, microfilmes, slides fora de suas embalagens;
  • deixar sujeiras, impressões digitais nos CD’s, DVD’s, microfilmes, slides;
  • deixar materiais informacionais em meios eletrônicos próximos a campos eletromagnéticos como aparelhos eletrodomésticos, imãs e outros;
  • deixar fitas de vídeo com a bitola cheia voltada para cima;
  • manusear os materiais com as mãos sujas.

Para obter mais informações a respeito acesse, siga e compartilhe o material disponibilizado na internet e in loco a respeito:

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